A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou nesta quinta-feira (29) que três tratamentos experimentais sejam testados prioritariamente contra a cepa Bundibugyo do vírus Ebola, responsável por um surto que já causou mais de 100 mortes na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda. A decisão, anunciada após avaliação de especialistas, ocorre em meio a um cenário de guerra civil e fechamento de fronteiras.
Os candidatos indicados pela entidade são o anticorpo monoclonal MBP134, da Mapp Biopharmaceutical; o maftivimab, desenvolvido pela Regeneron; e o antiviral remdesivir, da Gilead Sciences. Nenhum deles possui ainda aprovação específica para a variedade Bundibugyo do vírus — os tratamentos existentes foram desenvolvidos principalmente para as cepas Zaire e Sudão. A OMS orienta que os três compostos entrem em ensaios clínicos imediatamente para gerar dados sobre segurança e eficácia.
A lacuna regulatória é agravada pela rapidez da propagação. Embora não haja um balanço oficial consolidado, levantamentos de organizações humanitárias e da imprensa internacional apontam discrepâncias expressivas: enquanto registros oficiais da OMS contabilizam pelo menos 82 casos confirmados, outras fontes falam em até 900 suspeitos e entre 100 e 220 óbitos. A maioria dos episódios se concentra na província de Ituri, no leste da RDC, palco de conflitos armados entre grupos rebeldes e forças governamentais.
Diante do agravamento, a OMS pediu um cessar-fogo na região para permitir a entrada de equipes de saúde. Uganda, país vizinho, fechou sua fronteira com a RDC na tentativa de conter a transmissão. A província de Ituri já havia sido o epicentro do segundo maior surto de Ebola da história, entre 2018 e 2019, quando mais de 3 mil casos foram notificados. Na ocasião, a resposta sanitária foi dificultada pela instabilidade local.
A Agência de Saúde da União Africana (Africa CDC) prometeu entregar uma vacina especificamente voltada à cepa Bundibugyo até o final de 2026. O anúncio, feito no fim de maio, representa uma tentativa de encurtar a dependência de tratamentos improvisados.
Apesar da gravidade, não foram detectadas manifestações oficiais de autoridades sanitárias brasileiras, como Ministério da Saúde ou Anvisa, sobre protocolos de vigilância para eventual importação de casos. A médica veterinária Betânia Drumond, da Sociedade Brasileira de Virologia (SBV), foi citada em reportagens, mas sua declaração completa não estava disponível nos canais consultados.
Cabe destacar que esta reportagem foi elaborada a partir de múltiplas fontes de agências internacionais e notas oficiais da OMS. Em razão da ausência de citações diretas de cientistas ou autoridades nos documentos acessados, não foi possível incluir aspas no texto. O compromisso do PIRANOT é atualizar o conteúdo assim que declarações primárias forem obtidas.










