O caso do cão Orelha, que mobilizou as redes sociais e gerou forte repercussão em Florianópolis (SC), e no Brasil inteiro, teve uma grande reviravolta nesta semana. O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) pediu o arquivamento das investigações envolvendo a suposta agressão ao animal após concluir que não há provas de maus-tratos.
De acordo com o MP, análises periciais e técnicas afastaram a hipótese de violência e indicaram que o cachorro sofria de uma condição de saúde grave e preexistente. O documento foi encaminhado à Vara da Infância e Juventude da Comarca da Capital na última sexta-feira (8), e os detalhes foram divulgados ontem (12).
Foram analisados quase dois mil arquivos relacionados ao caso, e a conclusão das Promotorias de Justiça aponta que os adolescentes investigados e o cão não estiveram juntos na Praia Brava no horário da suposta agressão.
Divergências importantes na linha do tempo dos acontecimentos foram encontradas na investigação, segundo o órgão. Inicialmente, os relatórios policiais sustentavam que o adolescente apontado como suspeito teria permanecido no mesmo local que o animal por cerca de 40 minutos.
No entanto, a perícia identificou um descompasso temporal de aproximadamente 30 minutos entre as imagens das câmeras do condomínio e as gravações do sistema Bem-Te-Vi.
Com a correção dos horários, o Ministério Público concluiu que o cão estava a cerca de 600 metros de distância do adolescente nos momentos analisados.
Imagens mostram que o animal apresentava capacidade motora normal quase uma hora após o horário em que a suposta agressão teria ocorrido, o que enfraqueceu ainda mais a tese de maus-tratos recentes.
O laudo veterinário descartou traumatismo recente compatível com agressão humana. Segundo o perito responsável, todos os ossos do animal foram examinados detalhadamente, sem identificação de fraturas ou lesões associadas a violência.
A perícia encontrou sinais de osteomielite na região maxilar esquerda — uma infecção óssea grave e crônica, possivelmente relacionada a doenças periodontais avançadas. As imagens anexadas ao processo mostram uma lesão profunda e antiga, com perda de pelos, descamação e inflamação compatíveis com um quadro infeccioso prolongado.
O edema abaixo do olho esquerdo também coincidiu com o inchaço observado pelo veterinário que atendeu o animal antes da eutanásia.
Ainda segundo o Ministério Público, a fotografia do cão quando chegou à clínica veterinária mostrava apenas o inchaço no olho esquerdo, sem outros sinais externos de violência. As Promotorias de Justiça reforçaram que o conjunto de provas indica que o cão Orelha morreu em decorrência de um quadro clínico grave e não por agressão.
O MP também quer investigar a disseminação de conteúdos falsos, como monetização de conteúdos falsos relacionados ao caso nas redes sociais, divulgação indevida de informações sigilosas, remessa de cópias dos autos à Corregedoria da Polícia Civil de Santa Catarina, etc.











