sábado, 18 de julho de 2026
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Estudo do Projeto CuidAR revela que monoterapia com SABA na atenção primária está associada a remodelamento pulmonar e absenteísmo crônico.

Tratamento inadequado na atenção básica reduz função pulmonar em 60% dos adultos asmáticos

Estudo do Projeto CuidAR revela que monoterapia com SABA na atenção primária está associada a remodelamento pulmonar e absenteísmo crônico.

· 4 min de leitura · Atualizado em 08.05.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT - Editoria de Loterias

Pontos-chave

  • 60% dos adultos asmáticos no SUS têm função pulmonar reduzida por tratamento defasado.
  • Mais de 80% das crianças asmáticas perderam dias de estudo no último ano.
  • Seis mortes por dia no Brasil são atribuídas à asma, segundo o Jornal Brasileiro de Pneumologia.
  • Projeto CuidAR propõe dispositivo de baixo custo para monitorar função pulmonar nas UBS.

Seis em cada dez adultos asmáticos atendidos em unidades básicas de saúde já apresentam função pulmonar reduzida — e o motivo não é a doença em si, mas o tratamento oferecido pelo próprio sistema. A constatação é de um estudo inédito do Projeto CuidAR, conduzido pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, que expõe as consequências do uso exclusivo de bombinhas de resgate no manejo da asma.

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A pesquisa acompanhou cerca de 400 pacientes e revelou que 60% dos adultos e 33% das crianças asmáticas não conseguem normalizar a função pulmonar mesmo após o uso do broncodilatador de curta ação, conhecido como SABA. O dado sugere que a conduta padrão na atenção primária do SUS está provocando danos estruturais irreversíveis nos pulmões.

Segundo o pneumologista Paulo Márcio Pitrez, responsável pelo estudo, o uso isolado da bombinha mascara a inflamação das vias aéreas e leva a um remodelamento pulmonar que compromete a capacidade respiratória de forma definitiva. “O paciente sente alívio imediato, mas a doença continua progredindo silenciosamente”, afirmou à Agência Brasil.

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O colapso silencioso dos pulmões na atenção básica

A pesquisa do Projeto CuidAR escancarou a defasagem do protocolo ainda adotado na maioria das unidades de saúde. Enquanto diretrizes internacionais da Global Initiative for Asthma (GINA) recomendam, desde 2019, a combinação de broncodilatadores de longa ação com corticoides inalatórios já nos estágios iniciais, o SUS insiste na monoterapia com SABA.

O resultado é um ciclo de crises e danos progressivos. Quase 70% dos participantes relataram três ou mais exacerbações no último ano, metade precisou recorrer ao pronto-socorro e 10% foram hospitalizados. “Estamos falhando no controle da asma, e isso tem consequências sociais e econômicas graves”, declarou Pitrez.

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O estudo também propõe uma saída de baixo custo: a incorporação do medidor de pico de fluxo expiratório (Peak Flow) na rotina das UBS. O dispositivo portátil permitiria monitorar a obstrução das vias aéreas de forma objetiva, substituindo a espirometria tradicional, pouco acessível na rede pública.

A bomba-relógio do absenteísmo e das crises evitáveis

O impacto da asma mal controlada vai muito além dos pulmões. Mais de 80% das crianças e adolescentes asmáticos perderam dias de estudo no último ano, enquanto metade dos adultos faltou ao trabalho pelo mesmo motivo, segundo o levantamento do Hospital Moinhos de Vento e do Ministério da Saúde.

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A situação reflete o uso predominante de tratamentos que aliviam os sintomas mas não tratam a inflamação crônica. Dados do Jornal Brasileiro de Pneumologia indicam que seis mortes por dia no Brasil são atribuídas à asma — muitas delas evitáveis com o manejo adequado.

Para reverter o quadro, o Projeto CuidAR defende a adoção imediata do Peak Flow como ferramenta de triagem nas unidades básicas. O aparelho, que cabe na palma da mão, mede a velocidade do ar expirado e pode identificar precocemente a perda de função pulmonar, permitindo ajustes no tratamento antes que o dano se torne permanente.

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O que as diretrizes internacionais recomendam e o SUS ainda não pratica

Desde 2019, a GINA classifica o uso isolado de SABA como ultrapassado e associado a pior controle da doença e maior risco de exacerbações graves. A recomendação é clara: o tratamento de manutenção deve combinar broncodilatadores de longa ação (LABA) com corticoides inalatórios.

Apesar disso, o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Asma, do Ministério da Saúde, ainda não garante a dispensação ampla da terapia combinada nas unidades básicas. Na prática, a bombinha de resgate segue como principal — e muitas vezes único — recurso oferecido aos pacientes.

O Projeto CuidAR surge como uma ponte entre a evidência científica e a realidade do SUS. “O Peak Flow é um aparelho simples, que pode ser utilizado nas UBS para avaliar a obstrução das vias aéreas de forma objetiva, sem necessidade de espirometria completa”, afirmou o pesquisador responsável, conforme divulgado pela Agência Brasil. A medida busca suprir a carência de exames mais complexos e interromper o ciclo de danos irreversíveis que já atinge a maioria dos adultos asmáticos atendidos na rede pública.


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