Rajadas de vento de até 90 km/h e temperaturas de -4°C vão marcar o fim de semana do Dia das Mães no Centro-Sul do Brasil. O responsável é um ciclone extratropical que se intensifica rapidamente sobre o oceano, na costa da Argentina, e ganha a classificação de “ciclone bomba” — fenômeno que, mesmo sem tocar o continente, provoca efeitos severos em terra.
Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) indicam que a formação atende ao critério técnico de queda de pressão atmosférica de pelo menos 24 hectopascais em 24 horas. Esse processo, chamado ciclogênese explosiva, gera um gradiente de pressão excepcional que acelera os ventos em uma ampla faixa do país.
A Climatempo projeta que as rajadas mais intensas ocorram entre quinta-feira (7) e sexta-feira (8), com picos acima de 90 km/h no Rio Grande do Sul e de 85 km/h em São Paulo. “O ciclone em si fica sobre o mar, mas o contraste de pressão que ele gera acelera os ventos em terra firme”, explica a meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo.
Critério técnico do ciclone bomba
A classificação de um ciclone extratropical como “bomba” obedece a um critério técnico específico: a queda da pressão atmosférica central em pelo menos 24 hectopascais (hPa) no intervalo de 24 horas. Dados da Climatempo indicam que o sistema previsto para os próximos dias atenderá a esse limiar ao se formar sobre o oceano.
O Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE) complementa que ciclones extratropicais são sistemas de baixa pressão típicos de latitudes médias. Sua versão “bomba” está associada a um gradiente de pressão excepcionalmente intenso, que é o motor das rajadas.
Conforme divulgado pelo INMET, ventos de 40 a 60 km/h são esperados em áreas sob alerta de “Perigo Potencial”. A Climatempo projeta picos de 90 km/h no Rio Grande do Sul e de 85 km/h em São Paulo. A força do vento é consequência direta da diferença de pressão entre o centro do ciclone e as áreas vizinhas, que empurra o ar com violência.
Rajadas secas: o perigo que vem sem chuva
Rajadas secas são ventos intensos que ocorrem sem precipitação associada, frequentemente em dias ensolarados. De acordo com o CPTEC/INPE, esse fenômeno é comum na retaguarda de frentes frias, quando o ar seco e denso avança rapidamente.
A Climatempo explica que, por não virem acompanhadas de chuva, essas rajadas pegam a população desprevenida, aumentando o risco de destelhamentos e quedas de árvores. “A duração costuma ser inferior a 20 segundos, mas o poder destrutivo é grande”, afirma meteorologista da Climatempo.
Essa brevidade, segundo o INMET, dificulta a emissão de alertas específicos, já que os sistemas de monitoramento focam em tempestades com chuva. A Defesa Civil recomenda evitar áreas abertas e não se abrigar sob árvores durante o evento.
Impactos por região e a chegada do frio extremo
O Sul do país enfrenta as condições mais severas. Segundo a Climatempo, as rajadas de vento variam entre 60 km/h e 90 km/h, com picos acima de 90 km/h no Rio Grande do Sul durante temporais. O INMET emitiu alerta de perigo potencial para chuvas intensas e ventos de 40 a 60 km/h em áreas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
No Sudeste, São Paulo pode registrar rajadas de até 85 km/h, com risco de destelhamentos e queda de árvores. A partir de domingo (10), Dia das Mães, uma massa de ar polar derruba as temperaturas. O INMET prevê mínimas de -4°C na serra gaúcha e catarinense, com geada na Campanha e Serra do Rio Grande do Sul.
O Centro-Oeste permanece sob alerta de temporais, mas sem o frio extremo do Sul. A Climatempo reforça que, embora a tempestade não cruze o território brasileiro, seus efeitos indiretos elevam o risco de interrupções no fornecimento de energia elétrica e transtornos em áreas urbanas.











