A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento e a suspensão da comercialização de um lote de sardinha congelada da marca Laje, após análise laboratorial detectar a presença da bactéria Salmonella spp. em 25 gramas do produto. A decisão, publicada na Resolução-RE 1.742/2026, abrange o lote 13099022444 do produto “Peixe Congelado Sardinha Laje”, nas versões espalmada e eviscerada, em embalagem de 800 gramas, fabricado pela JMS Indústria e Comércio de Pescados.
O recolhimento foi comunicado voluntariamente pela empresa, mas a Anvisa tornou a suspensão obrigatória. A Salmonella spp. é um grupo de bactérias que pode causar infecção alimentar grave, com sintomas como vômito, febre, dores abdominais e diarreia. Em casos raros, pode levar à morte, especialmente em crianças, idosos e imunossuprimidos.
Detecção da contaminação e medidas sanitárias
A contaminação foi identificada durante análise fiscal realizada pela Anvisa, que detectou a presença de Salmonella spp. em uma amostra do lote. A partir do resultado, a agência notificou a empresa e determinou o recolhimento imediato do produto em todo o território nacional. A Resolução-RE 1.742, de 28 de abril de 2026, foi publicada no Diário Oficial da União e estabelece a suspensão da distribuição, comercialização e uso do lote contaminado.
A JMS Indústria e Comércio de Pescados, responsável pela marca Laje, afirmou que “imediatamente adotou todas as medidas sanitárias cabíveis” assim que identificou a contaminação. A empresa iniciou o recolhimento voluntário, mas a Anvisa reforçou a obrigatoriedade da medida para garantir a proteção da saúde pública. Não há informações oficiais sobre a quantidade de unidades recolhidas ou sobre a distribuição geográfica exata do lote, mas comunicados de órgãos locais, como a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, sugerem que o produto pode ter sido comercializado no estado de São Paulo.
A Salmonella spp. é uma das principais causas de surtos de doenças transmitidas por alimentos no Brasil. Dados do Ministério da Saúde indicam que, entre 2007 e 2021, foram notificados mais de 7.000 surtos de salmonelose, com cerca de 130.000 pessoas afetadas. A bactéria é encontrada principalmente em produtos de origem animal crus ou mal cozidos, como carnes, ovos e pescados, e a contaminação pode ocorrer em qualquer etapa da cadeia produtiva, desde a captura até o processamento.
Impacto na saúde pública e histórico de recolhimentos
O recolhimento de alimentos por contaminação microbiológica não é um evento isolado. Dados da Anvisa mostram que, em 2025, foram registrados 32 recolhimentos de alimentos por irregularidades, sendo 14 motivados por contaminação por Salmonella. O caso atual reforça a importância dos sistemas de vigilância sanitária e da fiscalização contínua para prevenir riscos à saúde pública.
Para os consumidores, a principal recomendação é verificar se possuem o produto em casa e, em caso positivo, não consumi-lo. A Anvisa orienta que o produto seja descartado ou devolvido ao ponto de venda. A agência também disponibiliza canais de comunicação para notificações de eventos adversos e queixas técnicas relacionadas a produtos sob vigilância sanitária.
Especialistas alertam que a salmonelose pode ser particularmente perigosa para grupos vulneráveis. A Organização Mundial da Saúde (OMS), em diretrizes sobre segurança alimentar, afirma que crianças, idosos e pessoas com sistema imunológico comprometido têm maior risco de desenvolver complicações graves, como desidratação severa e infecção sistêmica. A OMS estima que a Salmonella cause 93 milhões de casos de gastroenterite aguda e 155.000 mortes por ano em todo o mundo.
O episódio também levanta questões sobre a cadeia de frio e as boas práticas de fabricação na indústria de pescados. A JMS Indústria e Comércio de Pescados não se manifestou publicamente além da nota de recolhimento voluntário. A Anvisa informou que continuará monitorando o caso e poderá adotar medidas adicionais se necessário.
Enquanto isso, consumidores devem permanecer atentos a sintomas como febre, cólicas abdominais e diarreia após o consumo de sardinha congelada. Em caso de suspeita, a orientação é procurar atendimento médico e notificar a vigilância sanitária local. A prevenção, por meio da correta manipulação e cocção dos alimentos, ainda é a melhor defesa contra infecções alimentares.










