terça-feira, 21 de julho de 2026
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Tratado elimina tarifas para 91% dos produtos europeus no Brasil em até 15 anos, mas setores como máquinas e autopeças temem concorrência desleal.

Acordo Mercosul-UE entra em vigor provisoriamente e acende alerta para indústria nacional

Tratado elimina tarifas para 91% dos produtos europeus no Brasil em até 15 anos, mas setores como máquinas e autopeças temem concorrência desleal.

· 5 min de leitura · Atualizado em 08.05.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT - Editoria de Loterias

Pontos-chave

  • 91% dos produtos europeus terão tarifas zeradas no Brasil em até 15 anos.
  • Ipea projeta alta de 0,46% no PIB brasileiro até 2040, com ganhos concentrados no agronegócio.
  • Setores de máquinas e autopeças da região de Campinas podem sofrer com concorrência europeia.
  • França e entidades ambientais criticam falta de proteção à Amazônia no texto.

Após 26 anos de idas e vindas, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entrou em vigor provisoriamente em 1º de maio de 2026. A promessa é baratear produtos europeus nas prateleiras brasileiras, de vinhos a automóveis, mas o tratado também acende um alerta para a indústria nacional, que terá de enfrentar a concorrência europeia com tarifas reduzidas.

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O texto final, assinado em Assunção, no Paraguai, em janeiro de 2026, cobre apenas o pilar comercial. Os capítulos político e de cooperação ainda dependem da ratificação de todos os 27 parlamentos da União Europeia, um processo que pode levar anos. Segundo o Itamaraty, este é o acordo mais abrangente já negociado pelo bloco sul-americano.

Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que 91% dos produtos europeus que chegam ao Brasil terão tarifas zeradas gradualmente, em cronogramas de até 15 anos. No sentido inverso, 92% das exportações do Mercosul ganham acesso preferencial ao mercado europeu. A projeção é de um impulso de 0,46% no PIB brasileiro até 2040, o equivalente a US$ 9,3 bilhões.

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Produtos que ficam mais baratos para o consumidor

Itens como vinhos, queijos, azeites e automóveis europeus devem ter preços menores nas prateleiras com o tempo. A desgravação tarifária, porém, não será imediata: para produtos sensíveis, como veículos, o cronograma se estende por até 15 anos e inclui salvaguardas que limitam o volume de importações.

“O acordo prevê um período de transição longo para setores sensíveis, como o automotivo, permitindo adaptação gradual”, explicou um negociador brasileiro, em declaração à imprensa. Para o consumidor, a expectativa é de maior variedade de produtos importados e preços mais competitivos, mas a concretização desses ganhos dependerá da implementação efetiva das reduções tarifárias e da dinâmica do varejo.

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Indústria regional sob pressão da concorrência europeia

A entrada em vigor provisória não deve provocar mudanças imediatas na indústria da região de Campinas, que abrange Piracicaba, mas acende um alerta de longo prazo. Setores menos competitivos, como o de máquinas e equipamentos, podem enfrentar risco de desindustrialização com a chegada de produtos europeus com tarifas reduzidas ou zeradas.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que o tratado estabelece mecanismos de proteção para a indústria automotiva brasileira, com cotas e tarifas decrescentes. “O acordo prevê um período de transição de até 15 anos para a abertura do mercado automotivo, com cotas e tarifas decrescentes”, detalhou a pasta. Para o polo de autopeças e máquinas da região, o impacto dependerá da capacidade de modernização das empresas locais.

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Controvérsia ambiental trava ratificação plena

O acordo é alvo de críticas de organizações da sociedade civil e de parlamentares europeus, especialmente na França, que questionam a fragilidade dos mecanismos de enforcement ambiental. O presidente francês, Emmanuel Macron, declarou que o texto atual “não é aceitável” por não garantir proteção suficiente à Amazônia, conforme reportado pela imprensa internacional.

“O acordo não resolve o problema central: a assimetria regulatória”, afirmou uma fonte diplomática envolvida nas negociações, em declaração à imprensa. Padrões sanitários e fitossanitários europeus, como limites de resíduos de agrotóxicos e regras de bem-estar animal, são mais rigorosos e podem excluir produtores do Mercosul que não se adaptarem.

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Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o desmatamento na Amazônia Legal caiu 22% em 2025, mas a União Europeia exige metas mais ambiciosas. O impasse mantém o acordo em vigor apenas provisoriamente, sem a plena implementação dos pilares político e de cooperação.

Cronologia de uma negociação de 26 anos

As negociações foram lançadas oficialmente em 1999, durante a Cúpula da América Latina, Caribe e União Europeia no Rio de Janeiro, segundo registros do Ministério das Relações Exteriores. O objetivo inicial era criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, unindo os quatro países do Mercosul ao bloco europeu.

Após mais de duas décadas de impasses, o texto final foi assinado em 17 de janeiro de 2026, em Assunção, Paraguai. Apenas o pilar comercial entrou em vigor em 1º de maio, após aprovação dos parlamentos do Mercosul e do Conselho Europeu. Os capítulos político e de cooperação seguem pendentes de ratificação pelos 27 países-membros da UE.

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Perguntas frequentes

O que muda no preço dos carros com o acordo Mercosul-UE?

Carros europeus devem ficar mais baratos gradualmente, mas o processo levará até 15 anos. O acordo inclui cotas e salvaguardas para proteger a indústria automotiva brasileira de uma abertura abrupta do mercado.

O acordo Mercosul-UE já está valendo completamente?

Não. Apenas o pilar comercial entrou em vigor provisoriamente em 1º de maio de 2026. Os pilares político e de cooperação ainda precisam ser ratificados por todos os 27 países da União Europeia.

Quais produtos brasileiros serão mais beneficiados pelo acordo?

O agronegócio é o principal beneficiado: carnes, frutas e etanol ganham acesso preferencial ao mercado europeu, com potencial de aumentar as exportações e impulsionar o PIB em 0,46% até 2040, segundo o Ipea.

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