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Piracicaba (SP)

Papa Leão XIV nomeia ex-imigrante irregular como bispo nos EUA

Nomeação de salvadorenho que entrou escondido em porta-malas em 1990 acirra tensão com a Casa Branca.

· 4 min de leitura · Atualizado em 08.05.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT - Editoria de Loterias

Pontos-chave

  • Evelio Menjivar-Ayala entrou nos EUA escondido em porta-malas de carro em 1990.
  • Papa Leão XIV escolheu ex-imigrante irregular para diocese na Virgínia Ocidental.
  • Nomeação ocorre em meio a troca de insultos entre pontífice e presidente Trump.
  • Menjivar-Ayala declarou que ‘a dignidade humana não pode ser negociada’.
  • Desde 2015, Leão XIV critica políticas migratórias de Trump, incluindo o muro.

O Papa Leão XIV nomeou um ex-imigrante irregular como bispo da Diocese de Wheeling-Charleston, na Virgínia Ocidental, em 1º de maio de 2026. A decisão transforma Evelio Menjivar-Ayala, um salvadorenho que entrou nos Estados Unidos escondido no porta-malas de um carro em 1990, em símbolo da resistência da Igreja às políticas anti-imigração do governo Trump.

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Segundo a Santa Sé, a escolha reflete o compromisso do pontificado com os marginalizados e a defesa da dignidade humana. A nomeação ocorre em um momento de escalada verbal entre o Vaticano e a Casa Branca, com trocas de acusações cada vez mais duras.

A trajetória de Menjivar-Ayala desafia diretamente o discurso oficial de Washington. Ele viveu como imigrante irregular até 1995, quando obteve residência permanente, e desde então construiu uma carreira pastoral focada em comunidades latinas vulneráveis — experiência que o próprio Papa destacou como decisiva para a escolha, conforme comunicado da Nunciatura Apostólica.

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Trajetória de superação que confronta a política migratória

A nomeação de Evelio Menjivar-Ayala carrega uma história pessoal que expõe as contradições das políticas de imigração americanas. Segundo a Diocese de Wheeling-Charleston, ele chegou aos Estados Unidos vindo de El Salvador e posteriormente regularizou sua situação.

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Ordenado sacerdote em 2004, atuou em paróquias com forte presença de imigrantes latinos. Esse trabalho lhe deu um conhecimento direto das dificuldades enfrentadas por essa população. “A fé dos imigrantes é um testemunho vivo de esperança em meio à adversidade”, declarou Menjivar-Ayala em ocasiões anteriores, segundo registros da diocese.

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Sua história pessoal é vista pela Igreja local como um símbolo da contribuição dos imigrantes para a sociedade americana. A experiência pastoral em comunidades vulneráveis foi um dos fatores destacados pelo Papa Leão XIV na escolha, conforme comunicado da Nunciatura Apostólica.

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Tensão com a Casa Branca ganha novo capítulo

A nomeação de um ex-imigrante irregular como bispo ocorre em um momento de escalada verbal entre o Vaticano e a Casa Branca. O Papa Leão XIV tem feito críticas públicas às políticas de imigração de Donald Trump, classificando o tratamento dado a imigrantes como “pior do que o dado a animais”, segundo declarações registradas pela imprensa.

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A declaração, feita durante uma entrevista coletiva no voo de volta do México, ecoou como uma condenação direta às medidas de detenção e deportação adotadas pelo governo americano. Trump, por sua vez, reagiu com dureza. Em sua rede social, chamou o pontífice de “fraco” e “péssimo”, evidenciando a deterioração do diálogo entre os dois líderes.

O embate não é novo. Desde 2015, quando ainda era cardeal, Leão XIV já criticava as propostas de Trump de construir um muro na fronteira com o México, conforme registros históricos. A nomeação do bispo salvadorenho, portanto, é vista como um gesto de resistência simbólica que dá rosto humano à crise migratória, em contraponto às políticas de linha dura da administração Trump.

Implicações pastorais e políticas da nomeação

A escolha de Menjivar-Ayala também sinaliza uma estratégia pastoral do Papa Leão XIV para fortalecer a presença da Igreja entre os hispânicos nos Estados Unidos. A comunidade latina representa uma parcela crescente do catolicismo americano, e a nomeação de um bispo com essa história de vida pode ampliar a identificação dos fiéis com a hierarquia eclesiástica.

Ao mesmo tempo, o gesto tem peso político inegável. Em um contexto de aumento de deportações e restrições migratórias, a decisão do Vaticano coloca a Igreja em rota de colisão com a administração Trump. “A dignidade humana não pode ser negociada”, afirmou Menjivar-Ayala em declaração anterior, alinhada ao magistério do Papa Leão XIV, segundo destacou a Santa Sé.

A nomeação foi interpretada por analistas como um recado direto a Washington, reforçando a posição do Vaticano de que a defesa dos migrantes é uma prioridade do atual pontificado. Resta saber como a Casa Branca responderá a esse novo capítulo na já tensa relação com a Santa Sé.


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