A taxa de desemprego no Brasil subiu para 6,1% no primeiro trimestre de 2026, interrompendo uma sequência de oito trimestres consecutivos de queda. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa alta de 0,6 ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em dezembro de 2025, quando o indicador atingiu 5,5%, o menor da série histórica iniciada em 2012. Apesar do avanço, o patamar ainda é o mais baixo para um primeiro trimestre desde 2015, quando ficou em 7,9%.
A piora no indicador já era esperada por
A piora no indicador já era esperada por analistas, que apontam a sazonalidade típica do início do ano como principal fator. O fim das contratações temporárias de fim de ano pressiona a taxa. De acordo com o IBGE, a população desocupada somou 7,0 milhões de pessoas, um aumento de 11,1% frente ao trimestre anterior. Isso representa mais 701 mil pessoas em busca de trabalho. Já a população ocupada, que havia atingido o recorde de 107,3 milhões no fim de 2025, recuou 0,9% no período, para 106,3 milhões. Ainda assim, é o maior contingente para um primeiro trimestre da série.
O coordenador de pesquisas domiciliares do IBGE, William Kratochwil, destacou que o movimento é típico. “O primeiro trimestre de cada ano é marcado pela dispensa de trabalhadores temporários contratados no fim do ano anterior. Isso pressiona a taxa de desemprego, mas o mercado de trabalho segue aquecido, com a população ocupada ainda em patamar elevado”, afirmou.
Impacto
Apesar do aumento do desemprego, a renda continuou em trajetória positiva. O rendimento médio real habitual dos trabalhadores subiu 0,6% no trimestre, para R$ 3.378, e acumula alta de 3,2% em relação ao mesmo período de 2025. A massa de rendimentos, que é a soma de todos os salários, atingiu R$ 355,7 bilhões. Houve queda de 0,3% na comparação trimestral, mas avanço de 4,9% na base anual.
Para a economista-chefe da CM Capital, Carla Argenta, os dados reforçam um cenário de resiliência. “O aumento do desemprego é pontual e sazonal. A renda continua subindo, o que mostra que o mercado de trabalho ainda está forte. Isso pode pressionar a inflação de serviços, mas também sustenta o consumo das famílias”, avaliou.
O número de empregados com carteira assinada no setor privado, que vinha batendo recordes, recuou 0,8% no trimestre, para 39,2 milhões. Ainda assim, está 2,9% acima do registrado um ano antes. Já o número de trabalhadores por conta própria cresceu 0,5%, para 26,1 milhões, novo recorde da série.
A taxa de informalidade ficou em 39,1% da população ocupada, contra 38,7% no trimestre anterior e 39,4% no primeiro trimestre de 2025. O percentual de desalentados, aqueles que desistiram de procurar emprego, caiu para 3,2 milhões, menor número desde 2016.
O resultado do primeiro trimestre coloca um ponto de atenção para a política econômica do governo, que tem apostado no mercado de trabalho aquecido como motor do crescimento. A alta do desemprego, ainda que dentro do esperado, pode moderar o otimismo com o consumo, mas os dados de renda e ocupação seguem robustos. O IBGE revisou ainda os dados de 2025, confirmando que a taxa média anual foi de 5,9%, a menor da história, com recorde de população ocupada e massa salarial.
Para os próximos meses, a expectativa é de nova trajetória de queda, com a retomada das contratações na indústria e serviços. “O mercado de trabalho deve seguir como destaque positivo, mas é preciso monitorar os efeitos do crédito mais caro e da desaceleração global”, concluiu o economista-chefe da XP, Caio Megale.











