O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) subiu 0,06% em julho no Brasil, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (28). É a menor taxa para o mês desde 2023.
O resultado marca uma desaceleração da prévia da inflação, após a alta de 0,41% em junho, mas não elimina a pressão no acumulado: em 12 meses, o índice chega a 4,52%, acima do teto de 4,50% da meta de 2026.
O resultado também ficou abaixo da mediana de 0,21% das 24 projeções de analistas de consultorias e instituições financeiras, que variavam de 0,17% a 0,28%.
Segundo o IBGE, a desaceleração teve contribuição da queda dos preços do grupo Alimentos e Bebidas. Em contrapartida, Habitação exerceu pressão de alta, influenciada pelo reajuste nas tarifas de energia elétrica, que registrou o maior impacto de alta.
Acumulado supera o teto da meta por 0,02 ponto percentual
A perda de força aparece na comparação entre junho e julho de 2026. Em 25 de junho, o IPCA-15 havia registrado alta de 0,41%; nesta terça-feira (28), o IBGE divulgou variação de 0,06% para julho.
O número mensal é baixo, mas o acumulado em 12 meses segue em 4,52%. A meta de inflação de 2026 é de 3,00%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo e teto de 4,50%, conforme os parâmetros usados pelo Banco Central do Brasil para orientar a política monetária.
O IPCA-15 funciona como a principal prévia da inflação oficial do país e oferece uma leitura antecipada do comportamento do custo de vida.
Alimentos aliviam o índice, e energia limita a desaceleração
No orçamento das famílias, os movimentos foram opostos. A queda de Alimentos e Bebidas ajudou a segurar a variação mensal, enquanto a energia elétrica atuou no sentido contrário e impediu uma desaceleração maior do índice.
O resultado de 0,06% significa alta menor do que a de junho, de 0,41%, e menor do que a mediana de 0,21% esperada pelo mercado. Ainda assim, o acumulado de 4,52% em 12 meses fica 0,02 ponto percentual acima do teto da meta de 4,50%.
A diferença entre o dado observado e a mediana projetada reforça a leitura de inflação mais fraca no mês. Na condução da política monetária, porém, a taxa acumulada segue relevante porque o regime de metas acompanha o comportamento da inflação ao longo do tempo, não apenas uma variação mensal isolada.
Alívio mensal não elimina pressão sobre os juros
O IPCA-15 de julho entra na avaliação de política monetária do Banco Central do Brasil com dois sinais: desaceleração mensal e acumulado ainda acima do teto da meta.
Nos próximos meses, o comportamento de Alimentos e Bebidas e o impacto das tarifas de energia elétrica indicarão se o alívio mensal ganha força. Por enquanto, a alta de 0,06% reduz a pressão de curto prazo, mas os 4,52% acumulados em 12 meses mantêm a inflação acima do limite de 4,50%.












