O consumo de etanol deve crescer 17% em julho na comparação com o mesmo mês de 2025, projeta a consultoria Argus. A alta é impulsionada pela melhora dos indicadores de emprego e renda, que aquecem a demanda por combustíveis.
A projeção, divulgada nesta quarta-feira (15), coincide com a decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) de elevar a mistura de etanol na gasolina de 30% para 32%, aprovada na véspera. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, estima que a medida pode reduzir o preço da gasolina em R$ 0,03 por litro e diminuir a dependência de importações.
O levantamento da Argus, feito com as principais distribuidoras do país, aponta ainda um aumento de 19% no consumo de etanol em agosto. No entanto, a consultoria ressalva que os cálculos foram realizados antes do anúncio do novo percentual de mistura, e ainda é cedo para avaliar se a mudança na composição da gasolina impulsionará as vendas além do projetado.
Paridade histórica favorece etanol
O etanol já vinha ganhando espaço nas bombas. Em São Paulo, a paridade de preços favorece o biocombustível em relação à gasolina de forma contínua desde setembro de 2018, segundo dados do setor. Em junho de 2026, o preço médio do etanol no país era de R$ 4,13, bem abaixo dos R$ 6,62 da gasolina, o que estimula o consumidor a optar pelo derivado da cana.
A produção nacional também cresce. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que Mato Grosso do Sul, terceiro maior produtor do país, fabricou 1,783 bilhão de litros de etanol entre janeiro e maio de 2026, um salto de 61,8% na produção de etanol anidro em relação ao ano anterior. O estado só fica atrás de São Paulo e Mato Grosso. A mistura de etanol na gasolina vinha sendo mantida no padrão E30 desde 2015, e a nova deliberação do CNPE é a primeira alteração significativa em mais de uma década.
Impacto no bolso e no mercado
Com a nova mistura E32, o governo espera reduzir a importação de gasolina em 900 milhões de litros por ano, aliviando a pressão sobre a balança comercial. Para o consumidor, a economia estimada de R$ 0,03 por litro de gasolina é modesta, mas soma-se à vantagem de preço do etanol hidratado, que já é a escolha mais econômica em grande parte do país.
O aumento do consumo de etanol ocorre em um momento de pressão sobre os preços de combustíveis. Em julho, o gás de cozinha subiu para R$ 114,66, conforme mostrou o PIRANOT. A alta da demanda por etanol pode aquecer ainda mais o setor sucroenergético, que já registra expansão de produção e investimentos.
Próximos passos e incertezas
A portaria do CNPE que eleva a mistura para 32% tem previsão de entrar em vigor em 1º de agosto. Contudo, o Ministério Público pediu ao Tribunal de Contas da União (TCU) que suspenda a medida, sob o argumento de que faltam estudos sobre o impacto em motores a gasolina. A disputa jurídica pode adiar a implementação.
Enquanto isso, a Argus monitora o mercado. A consultoria afirma que, se a mistura maior se confirmar, o consumo de etanol poderá superar as projeções atuais, mas o efeito real só será sentido nas bombas após a adaptação da cadeia de distribuição. O governo, por sua vez, não divulgou cronograma para a realização de testes complementares de desempenho dos motores.










