A SK Hynix lançou nesta segunda-feira (6) uma oferta de ADRs na Nasdaq que mira 43 trilhões de won, o equivalente a US$ 28,07 bilhões, em uma das operações mais observadas do setor de semicondutores no ciclo de valorização puxado pela inteligência artificial.
A fabricante sul-coreana pretende emitir 17,79 milhões de novas ações, com proporção de 10 recibos americanos para cada ação ordinária. A operação não é um IPO tradicional: trata-se de uma emissão de ADRs lastreados em ações novas, o que abre uma porta de negociação nos Estados Unidos sem transformar a companhia em estreante absoluta no mercado acionário.
O valor final da captação depende do preço dos recibos. A definição está prevista para 9 de julho, e a estreia dos ADRs na Nasdaq é esperada para 10 de julho. Até lá, o número de US$ 28,07 bilhões funciona como alvo da oferta, não como valuation fechado da companhia.
A reação inicial mostrou que a euforia com IA não elimina a cautela. As ações da SK Hynix fecharam o dia do anúncio em queda de 3,4%, apesar de acumularem alta de 260% em 2026. O recuo veio justamente no momento em que a empresa tenta converter a demanda por chips de memória em capital novo no mercado americano.
Memória HBM põe SK Hynix no centro da corrida por IA
A SK Hynix é a segunda maior fabricante mundial de chips de memória, atrás da Samsung, e ocupa posição central no fornecimento de HBM, sigla em inglês para memória de alta largura de banda. Esse tipo de componente é usado em GPUs de inteligência artificial, área em que a Nvidia aparece como principal cliente da companhia.
A importância da HBM está no gargalo que ela resolve. Modelos de IA exigem grande capacidade de processamento e transferência rápida de dados entre memória e processadores gráficos. Quanto maior a demanda por data centers e aceleradores de IA, maior tende a ser a disputa por fornecedores capazes de entregar esse tipo de memória em escala.
É essa engrenagem que dá peso à oferta. A SK Hynix não está apenas vendendo uma tese de crescimento genérica: ela tenta aproveitar a posição que conquistou na cadeia de fornecedores de chips usados por empresas que constroem infraestrutura de IA. Para investidores, a operação mede se o entusiasmo com Nvidia, data centers e semicondutores ainda sustenta emissões bilionárias fora dos Estados Unidos.
Oferta sai abaixo do teto previsto em junho
A sequência começou em 24 de junho, quando a companhia apresentou o plano de listagem nos Estados Unidos com potencial de levantar até US$ 29,4 bilhões. O lançamento formal veio agora com alvo de US$ 28,07 bilhões, abaixo do teto indicado inicialmente.
A diferença não muda o tamanho político e financeiro da operação. A emissão chega em um momento em que governos e empresas disputam capacidade de produção de semicondutores, insumos de memória e infraestrutura de computação. Na Coreia do Sul, Samsung e SK Hynix já foram mobilizadas em um plano de US$ 373 bilhões para fortalecer a indústria nacional de chips ligados à inteligência artificial.
A companhia também já havia registrado interesse prévio de investidores em até US$ 7 bilhões em ADRs. A oferta atual amplia a escala do teste: o mercado precisa dizer se aceita pagar por uma exposição maior à memória de IA depois de uma forte valorização das ações no ano.
O próximo passo é a precificação dos recibos. Se a agenda for mantida, a SK Hynix define o preço em 9 de julho e leva os ADRs à Nasdaq no dia seguinte, com a operação servindo de termômetro para novas captações de empresas ligadas à infraestrutura global de inteligência artificial.











