A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta a safra 2025/26 de cana-de-açúcar em 663,44 milhões de toneladas — queda de 2% ante o ciclo encerrado em março —, enquanto o Centro-Sul expande a área colhida e acelera a produção de etanol.
Os dados preliminares da Conab, divulgados em 3 de julho, registram a segunda retração consecutiva da produção nacional. A safra 2024/25 encerrou com 676,96 milhões de toneladas, já 5,1% abaixo do ciclo anterior. A projeção atual aponta nova contração de 2%, pressionada por seca, queda de produtividade e preços baixos no mercado. Como o PIRANOT documentou em cobertura anterior da safra, a Conab já havia sinalizado nova redução de oferta ao mercado.
O Centro-Sul, que concentra cerca de 90% da produção nacional, apresenta dinâmica distinta. Nos dois primeiros meses da safra 2025/26, a fabricação de etanol avançou 31,55% na região e a produção de açúcar recuou 2%, conforme boletim da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA). Ao mesmo tempo, a área destinada à colheita na safra 2026/27 crescerá 3% — expansão que, por si só, não reverte o volume menor, já que parte dos novos canaviais ainda opera abaixo da produtividade plena.
Dois anos seguidos de queda e a reorientação industrial para o etanol
O ciclo 2023/24 foi o mais produtivo da história recente da cana brasileira, com safras que superaram 700 milhões de toneladas. Desde então, o setor acumula dois recuos consecutivos: 5,1% em 2024/25 e a projeção de 2% em 2025/26, segundo estimativas preliminares da Conab. A combinação de seca prolongada, perda de produtividade e preços baixos no mercado acelerou a migração industrial em direção ao etanol, com margens mais favoráveis no mercado interno.
O pivô é visível nos números: enquanto o volume total de cana cai, o etanol dispara 31,55% nos primeiros meses da safra no Centro-Sul, contra recuo de 2% no açúcar. A reportagem do PIRANOT de 3 de julho detalhou como a expansão de área na região se combina com essa reorientação produtiva. O Brasil abastece cerca de 50% do mercado global de açúcar, e duas safras seguidas abaixo do pico do setor podem pressionar exportações e preços internacionais.
O impacto financeiro já aparece nos balanços das usinas. A Tereos lucrou R$ 137 milhões na safra 2025/26, queda de 62% ante o ciclo anterior, segundo balanço da companhia divulgado em junho.
Subsídio de R$ 270 milhões para o Nordeste e o que ainda falta publicar
O Governo Federal anunciou R$ 270 milhões em subsídio emergencial para produtores canavieiros do Nordeste, região que enfrenta desafios climáticos e estruturais mais severos do que o Centro-Sul. A operacionalização do repasse — critérios de acesso, calendário de desembolso e mecanismo de distribuição entre produtores — ainda não foi publicada em documento oficial.
Para a safra 2026/27, projeções iniciais do setor apontam crescimento de 3% na área colhida no Centro-Sul. As estimativas da Conab para o ciclo 2025/26 são preliminares e deverão ser revisadas nos levantamentos mensais seguintes da companhia.











