Victor de Oliveira Shimada, empresário investigado por suspeita de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital, o PCC, está foragido após uma nova operação da Polícia Federal contra uma rede financeira atribuída à facção.
A sequência que colocou o caso no centro da investigação é direta: Shimada foi preso no fim de 2024, deixou a prisão 25 dias depois por habeas corpus concedido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região e voltou a ser alvo de mandado na Operação Exchange, deflagrada na sexta-feira (3).
A Polícia Federal afirma que a operação busca conter um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. A ação cumpriu mandados de busca e de prisão e prendeu sete pessoas, enquanto Shimada não foi localizado.
Prisão curta aumenta pressão sobre o caso
Shimada é tratado como investigado. A suspeita atribuída a ele envolve a atuação em uma estrutura financeira usada para movimentar recursos vinculados à facção. Não se trata, neste momento, de condenação criminal.
O habeas corpus que permitiu a saída da prisão tornou-se o ponto sensível da história porque, meses depois, a PF voltou a procurar o empresário em uma operação federal de maior alcance. A decisão foi concedida pelo TRF-3, corte responsável por processos federais em São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Em casos desse tipo, a prisão preventiva pode ser mantida quando a Justiça vê risco à ordem pública, à investigação ou à aplicação da lei penal. Também pode ser revogada quando o tribunal entende que a medida é excessiva ou que existem alternativas cautelares. No caso de Shimada, o resultado prático foi a soltura em menos de um mês e, agora, a condição de foragido.
Operação mira rede financeira ligada ao PCC
A Operação Exchange mira pessoas físicas e empresas suspeitas de participar da engrenagem financeira da facção. A PF trata a lavagem de dinheiro como uma frente essencial para sustentar atividades do crime organizado, ocultar origem de recursos e reinserir valores ilícitos na economia formal.
Entre os alvos presos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, secretária citada por autoridades dos Estados Unidos em sanções relacionadas ao PCC. Ela aparece na rede investigada pela Polícia Federal.
Dois dias antes da operação, o governo dos Estados Unidos sancionou pessoas e empresas apontadas como ligadas à facção, entre elas Shimada e a empresa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda, registrada em Portugal. A medida veio no contexto da classificação do PCC como Organização Terrorista Estrangeira por Washington.
O PCC é apontado por autoridades brasileiras como a maior organização criminosa do país, com ramificações nacionais e internacionais. Por isso, operações financeiras associadas à facção passaram a ocupar espaço central nas investigações federais.
Mandados miram endereços e empresas
A operação teve 24 mandados: 13 de busca e apreensão e 11 de prisão. A ofensiva mira endereços e estruturas empresariais que, segundo a PF, teriam sido usadas para movimentar e dissimular recursos.
Shimada já havia sido procurado em cinco endereços em uma tentativa anterior de prisão ligada ao Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico. As buscas passaram por imóveis em São Paulo, Santos e Praia Grande.
Com a nova operação, a consequência imediata é a manutenção das buscas pelo empresário e a execução dos mandados ainda pendentes. Se for preso, Shimada deverá ser apresentado à Justiça, que decidirá sobre a manutenção da custódia e eventuais medidas cautelares.










