A FIFA exigiu que a delegação da seleção do México devolva relógios Rolex avaliados em até R$ 362 mil recebidos durante a Copa do Mundo 2026. A intervenção da entidade máxima do futebol mundial ocorreu enquanto o time mexicano se preparava para as oitavas de final, em 1° de julho, contra a Inglaterra — confronto de alta visibilidade com ampla cobertura internacional.
A exigência tem respaldo no Código de Ética da FIFA, que veda o recebimento de presentes de valor significativo por delegações em competições oficiais. A norma foi endurecida após o escândalo de corrupção de 2015, quando investigações coordenadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e pela Justiça suíça resultaram em prisões de dirigentes da entidade e na reformulação profunda das regras de compliance do futebol mundial.
A identidade de quem presenteou a delegação mexicana, o artigo do regulamento da FIFA invocado para fundamentar a exigência e o destino dos relógios após a devolução — se retornam ao doador ou ficam sob custódia da entidade — não foram esclarecidos publicamente, conforme registrado pela imprensa especializada. A Federação Mexicana de Futebol e a própria FIFA não divulgaram comunicado oficial sobre o episódio.
A norma da FIFA que veta presentes de luxo em Copas do Mundo
O Código de Ética da FIFA, reestruturado após 2015, estabelece limites para o recebimento de brindes por delegações, jogadores, membros de comissão técnica e dirigentes em torneios oficiais. A lógica é separar protocolos legítimos de hospitalidade de situações que possam configurar influência indevida, favorecimento ou desvio de conduta. As regras surgiram de uma crise sem precedentes: entre 2015 e 2016, prisões em cadeia nos Estados Unidos e na Suíça, afastamento de dirigentes históricos e revisão estrutural de governança forçaram a entidade a regulamentar com rigor o que antes ficava nas zonas cinzentas da hospitalidade esportiva. Em edições anteriores da Copa do Mundo, houve registros de brindes de patrocinadores entregues a elencos e comissões, mas nenhum caso registrou intervenção pública da entidade com exigência de devolução por itens de valor tão elevado.
A Copa do Mundo 2026, disputada nos Estados Unidos, no Canadá e no México, reúne os elencos mais valiosos da história do torneio e movimenta o maior volume financeiro de uma edição da competição. O cenário eleva o escrutínio da entidade sobre qualquer situação de compliance, incluindo o recebimento de presentes de alto valor por delegações participantes.
Sem doador identificado, o que a FIFA ainda precisa esclarecer no caso México
Três questões centrais permanecem sem resposta pública: quem entregou os relógios Rolex à delegação mexicana, em que circunstância a entrega ocorreu — se há vínculo com patrocinador oficial, governo ou entidade privada — e se a FIFA dará continuidade ao caso com processo disciplinar formal, além da exigência de devolução já realizada. Também não está claro se o episódio envolve apenas jogadores ou se abrange membros da comissão técnica e dirigentes da delegação.
A FIFA e a Federação Mexicana de Futebol não se manifestaram sobre eventuais sanções até o fechamento desta edição. A entidade tampouco confirmou ou negou se outras seleções na Copa 2026 receberam presentes de valor semelhante ou enfrentaram exigência equivalente.











