Três movimentos recentes nas pesquisas eleitorais mostram como a disputa de 2026 começa a absorver crises que atravessam PT e PL antes mesmo da largada oficial da campanha. Levantamentos de Datafolha, AtlasIntel e Paraná Pesquisas colocam Lula, Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e Jaques Wagner no centro de cenários nacionais e regionais, em meio à operação da Polícia Federal que atingiu o entorno político do senador baiano e ao conflito público dentro do bolsonarismo.
O dado nacional mais concreto veio do Datafolha: Lula aparece com 41% contra 31% de Flávio Bolsonaro em uma simulação presidencial feita em junho. O recorte ganhou peso político porque foi medido no mesmo período em que a crise envolvendo Jaques Wagner pressionava o governo no Congresso e em que o PL ainda tentava conter os efeitos do vídeo de Michelle Bolsonaro com críticas a Flávio e à direção do partido.
A sequência não permite afirmar que os episódios já tenham mudado votos. O que ela mostra, com clareza, é outra coisa: os institutos passaram a tratar essas crises como variáveis eleitorais. A operação da PF na Bahia entrou no radar da disputa regional, enquanto a tensão entre Michelle e Flávio Bolsonaro passou a ser testada como fator de rearranjo na oposição a Lula.
Crise no PL vira variável na corrida presidencial
No campo bolsonarista, a presença simultânea de Flávio e Michelle Bolsonaro nos cenários revela a disputa pelo espólio político de Jair Bolsonaro. Flávio aparece como nome testado contra Lula em simulações presidenciais; Michelle, por sua vez, é medida como alternativa com apelo próprio junto ao eleitorado conservador.
Essa diferença importa. Flávio carrega o sobrenome Bolsonaro no ambiente institucional do Senado e do PL. Michelle mobiliza outra dimensão do bolsonarismo, ligada à imagem pública construída entre evangélicos, mulheres conservadoras e eleitores que veem nela uma opção menos associada ao desgaste cotidiano da política partidária.
O vídeo em que Michelle critica Flávio e a condução do PL deu visibilidade a uma tensão que já interessava aos institutos: quem, dentro do campo da direita, teria mais força para enfrentar Lula em 2026. Ao incluir esses nomes nos questionários, as pesquisas transformam uma crise interna em teste eleitoral.
Wagner leva tensão do governo para a eleição na Bahia
No PT, o foco recai sobre Jaques Wagner. A operação da Polícia Federal de 18 de junho colocou o senador baiano sob pressão política e abriu uma frente sensível para o governo Lula, que depende de Wagner como articulador experiente no Congresso e como nome de peso na Bahia.
A entrada do caso nos levantamentos muda a escala da crise. Em Brasília, o episódio atinge a coordenação política do governo. Na Bahia, estado em que Wagner construiu sua trajetória e onde o PT mantém uma base eleitoral relevante, ele passa a ser medido também pelo impacto potencial sobre a disputa ao Senado.
O Paraná Pesquisas divulgou em 1º de julho um levantamento para o Senado na Bahia, o primeiro após a operação da PF a tratar diretamente do ambiente eleitoral no estado. O movimento desloca a crise do noticiário policial e institucional para uma pergunta mais prática: quanto do desgaste pode chegar à urna?
AtlasIntel refaz rodada após veto no TSE
A AtlasIntel também entrou nessa sequência depois de uma decisão do ministro Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral, que barrou uma pesquisa anterior por considerar que a formulação poderia induzir o entrevistado. Na nova rodada, o instituto incluiu referências a Michelle Bolsonaro e Jaques Wagner, dois personagens diretamente ligados às crises recentes de PL e PT.
A reformulação é relevante porque mostra o cuidado dos institutos diante de temas politicamente sensíveis. Perguntas eleitorais podem medir percepção, rejeição, preferência e cenários de confronto, mas não substituem investigação, decisão judicial nem explicam sozinhas a causa de uma oscilação.
Por isso, a leitura conjunta precisa separar duas coisas. A primeira é factual: Lula mantém vantagem de dez pontos sobre Flávio Bolsonaro no cenário nacional medido pelo Datafolha em junho. A segunda é política: Michelle e Wagner entraram no centro dos questionários porque suas crises passaram a organizar parte do debate sobre 2026.
O que as pesquisas já indicam para 2026
O conjunto dos levantamentos desenha uma eleição em que Lula ainda aparece como referência central, enquanto a oposição testa nomes para ocupar o espaço bolsonarista. Flávio Bolsonaro surge como herdeiro político direto; Michelle aparece como ativo eleitoral próprio; e Wagner vira termômetro do desgaste petista em um estado estratégico.
O efeito prático é que a pré-campanha deixa de girar apenas em torno de nomes e passa a incorporar crises recentes como parte do cálculo. Para o PL, a questão é saber se o conflito entre Michelle e Flávio fragmenta ou reorganiza a oposição. Para o PT, o desafio é impedir que o caso Wagner contamine a articulação nacional e a disputa baiana.
Com os dados já publicados, a fotografia mais segura é esta: Lula lidera Flávio Bolsonaro no cenário nacional medido pelo Datafolha, enquanto novas rodadas testam se Michelle Bolsonaro e Jaques Wagner alteram o tabuleiro. A consequência imediata é que as crises de PT e PL deixam de ser ruído de bastidor e passam a fazer parte do mapa eleitoral de 2026.










