Duas empresas chinesas de semicondutores captaram cerca de US$ 1 bilhão em ofertas públicas iniciais (IPOs) na Bolsa de Hong Kong nesta sexta-feira (26), em estreias que reforçam o papel do centro financeiro como principal rota de capital para o setor de tecnologia do país.
As ações das companhias dispararam no primeiro dia de negociação, seguindo uma tendência observada ao longo de 2026. Em janeiro, a fabricante de chips de inteligência artificial Shanghai Biren Technology fechou com alta de 76% em sua estreia em Hong Kong. No mesmo mês, o grupo de IA MiniMax viu suas ações dobrarem de valor no primeiro pregão, após levantar US$ 620 milhões.
Em paralelo às ofertas já concluídas, duas startups chinesas de chips de IA protocolaram nesta semana pedidos para abrir capital na mesma bolsa. Juntas, as companhias pretendem levantar US$ 1,7 bilhão — valor que ainda depende de aprovação regulatória e da resposta dos investidores.
Hong Kong concentra corrida chinesa por capital
As operações inserem-se na estratégia chinesa de financiar o desenvolvimento de semicondutores por meio do mercado de capitais, em vez de depender apenas de crédito estatal. Hong Kong, que opera sob controle político crescente de Pequim, mantém-se como a porta de acesso a investidores internacionais para empresas do país.
O movimento ganhou força ao longo do ano. A Baidu confirmou em junho a abertura de capital da sua unidade de chips de IA, Kunlunxin, em Hong Kong ainda em 2026. A fabricante de robôs Coowa, apoiada pelo SoftBank Group, também prepara IPO na praça, somando-se à onda de companhias de tecnologia e robótica que buscam recursos na cidade.
Disputa tecnológica acelera captações
A enxurrada de IPOs reflete a rivalidade entre Estados Unidos e China no setor de semicondutores e inteligência artificial. Pequim tenta reduzir a dependência de componentes estrangeiros, e a abertura de capital tornou-se instrumento para financiar pesquisa, expansão produtiva e desenvolvimento de tecnologia nacional.
O setor de chips também sustentou o mercado acionário de Hong Kong em maio, quando o índice da bolsa fechou estável, com o otimismo em relação à fabricação de semicondutores superando receios sobre a postura do governo chinês em relação às empresas de tecnologia.
Para a cadeia global, o efeito é indireto: semicondutores entram na produção de eletrônicos, automóveis, telecomunicações e equipamentos industriais. A pressão chinesa por capacidade produtiva e tecnologia própria pode alterar a dinâmica de oferta e preços no longo prazo.
Os pedidos das duas startups de chips de IA, que somam US$ 1,7 bilhão em intenção de captação, avançam agora pelas etapas formais da bolsa. Os termos finais dependerão da demanda dos investidores e da publicação dos documentos definitivos de oferta.










