O Banco Digimais, ligado a Edir Macedo, operava crédito consignado para policiais militares de São Paulo com autorização da gestão Tarcísio de Freitas quando a Polícia Federal o transformou em alvo nesta terça-feira (23). A operação, que bloqueou R$ 670 milhões em bens da instituição, alcança diretamente o governador mais bem posicionado nas pesquisas para a presidência em 2026.
A PF deflagrou a Operação Miragem com nove mandados de busca e apreensão e quebra de sigilo fiscal de pessoas físicas e jurídicas. A corporação aponta que o Digimais replicou o modelo operacional do Banco Master em esquema investigado — prática que, somada às dificuldades financeiras da instituição, motivou a ação desta manhã. O banco também negociava a própria venda ao BTG Pactual diante de problemas de capital.
O aval de Tarcísio e os PMs paulistas
A gestão Tarcísio de Freitas concedeu autorização para que o Digimais operasse consignado junto à Polícia Militar paulista. O ato que formalizou essa permissão — portaria, contrato ou credenciamento —, a data de assinatura e os critérios de risco adotados não foram divulgados pelo governo de São Paulo. Para os policiais com contratos ativos no banco, permanece em aberto se o desconto em folha segue vigente após a operação federal.
O governo de São Paulo e o Banco Digimais não se manifestaram sobre o episódio.
Peso político em ano pré-eleitoral
Tarcísio de Freitas governa São Paulo desde janeiro de 2023 e lidera as pesquisas para a presidência em 2026 contra adversários petistas. Ter o nome ligado a uma autorização concedida a banco que a PF acusa de replicar esquema do Banco Master — e cujos bens foram bloqueados em R$ 670 milhões — é exatamente o tipo de episódio que adversários transformam em pauta de campanha.
A resposta do governo de São Paulo sobre as condições do aval ao Digimais definirá se o caso fica restrito ao banco ou se a responsabilidade alcança a administração estadual diretamente.











