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Economia

Geração Z e millennials priorizam segurança e desafiam sucessão nas empresas

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Levantamento ouviu 804 brasileiros e integra pesquisa global com 23 mil pessoas em 44 países.
  • Insegurança financeira leva jovens a adiar decisões sobre carreira e ascensão profissional.
  • Para 78% dos entrevistados, trabalho precisa estar alinhado a valores pessoais.
  • Empresas podem ter de rever planos de sucessão, remuneração e trilhas de crescimento.

A geração Z e os millennials no Brasil chegam ao mercado de trabalho com uma ambição menos automática por cargos de chefia — e mais condicionada a segurança financeira, coerência de valores e qualidade de vida. A conclusão aparece na edição de 2026 da pesquisa Global Gen Z and Millennial Survey, da Deloitte, divulgada neste domingo (14).

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O estudo ouviu 23 mil pessoas em 44 países, incluindo 804 entrevistados no Brasil. No recorte brasileiro, a Deloitte mostra que a liderança deixou de ser um destino natural de carreira para parte dos jovens profissionais. O cargo importa menos quando vem acompanhado de maior pressão, responsabilidade ampliada e ganho percebido como insuficiente diante do risco.

O movimento muda a conta das empresas. Se as novas gerações não enxergam a chefia como recompensa óbvia, programas de sucessão, retenção de talentos e formação de gestores passam a depender de uma proposta mais concreta: remuneração compatível, autonomia real, carga de trabalho administrável e ambiente alinhado aos valores de quem será chamado a liderar.

Segurança financeira pesa na decisão de carreira

A pressão econômica aparece como eixo central da pesquisa. Jovens brasileiros adiam decisões profissionais ou rejeitam mudanças quando percebem risco financeiro elevado. A liderança, nesse cenário, deixa de ser apenas um símbolo de status e passa a ser avaliada como uma troca: mais cobrança e exposição em troca de benefícios que nem sempre compensam.

A Deloitte também informa que 78% dos jovens ouvidos no Brasil consideram importante o alinhamento entre valores pessoais e trabalho. Outros 56% atribuem peso ao posicionamento social das empresas. Os dados indicam que a escolha de carreira já não se resume a cargo, salário e crescimento vertical; ela passa também por identidade, propósito e confiança na organização.

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Esse ponto ajuda a explicar por que a queda de entusiasmo por chefias não equivale a rejeição ao mundo corporativo. Segundo a pesquisa, 81% dos profissionais da geração Z consideram o escritório importante. A questão, portanto, não é uma recusa simples a empresas, hierarquias ou presença física, mas uma negociação mais dura sobre o custo de assumir responsabilidades de gestão.

Empresas enfrentam risco de vácuo na liderança

Para companhias brasileiras, o sinal de alerta está na sucessão. À medida que profissionais mais jovens ganham espaço nas equipes, a reposição de coordenadores, gerentes e diretores pode ficar mais difícil se a trilha de liderança continuar baseada apenas em promoção formal e aumento de cobrança.

A pressão tende a crescer. A geração Z deve representar 58% da força de trabalho em 2029, segundo dados citados pela pesquisa. Isso aproxima o tema das decisões de orçamento: empresas terão de disputar talentos não só com salário, mas com desenho de cargos, flexibilidade, treinamento e clareza sobre o que muda quando alguém aceita liderar uma equipe.

O impacto também pode aparecer no custo de substituição. Em estruturas maiores, menor interesse por chefia tende a prolongar transições, elevar disputas por gestores preparados e aumentar a dependência de contratações externas. A sucessão deixa de ser um fluxo previsível de promoções internas e passa a exigir planejamento mais ativo das áreas de recursos humanos.

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Chefia precisa competir com estabilidade e propósito

O recado para as empresas é direto: a liderança precisa voltar a parecer uma oportunidade, não apenas uma sobrecarga. Isso envolve rever pacotes de remuneração, reduzir ambiguidades sobre responsabilidade, preparar gestores antes da promoção e criar caminhos de crescimento que não obriguem todo bom profissional técnico a virar chefe.

A pesquisa não abre um percentual específico de brasileiros que recusam cargos de liderança, mas o conjunto dos indicadores mostra uma mudança relevante de prioridade. Jovens seguem interessados em carreira, pertencimento e desenvolvimento; o que muda é a disposição de aceitar o comando a qualquer preço.

Para o mercado, a consequência prática é imediata: empresas que tratam chefia como prêmio automático terão mais dificuldade para formar sucessores. As que conseguirem combinar segurança, coerência e autonomia saem na frente na disputa pelos próximos líderes.