domingo, junho 14
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Política

Produtora de filme sobre Bolsonaro declara R$ 75 mi em perícia do inquérito

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Perícia privada afirma que R$ 54,2 milhões foram gastos nos EUA e R$ 20,9 milhões no Brasil
  • Defesa diz que o dinheiro veio do fundo americano Havengate e nega uso de verba pública
  • Documento não comprova o fundo, não lista destinatários e não explica diferença de R$ 59 milhões
  • Investigação apura possível ligação com instituto alvo de operação por contrato com a Prefeitura de São Paulo

A Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, apresentou uma perícia privada ao inquérito que investiga a origem do dinheiro usado no filme. O documento declara R$ 75 milhões em gastos e tenta afastar a suspeita de que a produção tenha sido financiada com recursos públicos desviados.

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A peça foi anexada em 10 de junho pela defesa de Karina Ferreira Gama, ligada à produtora. Segundo informações divulgadas neste sábado (13), a perícia afirma que R$ 54,2 milhões teriam sido gastos nos Estados Unidos e R$ 20,9 milhões no Brasil.

A versão da defesa aponta o fundo americano Havengate como origem dos recursos. O documento, porém, não traz a documentação completa do fundo, não identifica todos os destinatários dos R$ 75 milhões e não esclarece a diferença entre o valor declarado como gasto e cifras maiores citadas nas negociações que cercam o caso.

Contrato de R$ 108 milhões está no centro da investigação

O inquérito mira a possível ligação entre a produção do filme e um contrato de R$ 108 milhões firmado entre o Instituto Conhecer Brasil e a Prefeitura de São Paulo. O instituto foi alvo de operação policial em 1º de junho, sob suspeita de participação em desvio de verbas públicas.

A investigação busca saber se houve conexão financeira entre o dinheiro movimentado pelo instituto e a Go Up Entertainment. A perícia entregue pela defesa tenta romper esse elo ao sustentar que os recursos vieram de fora do país, por meio do Havengate, fundo apontado como ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro.

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Dark Horse foi lançado em 15 de janeiro de 2024 no canal de Flávio Bolsonaro no YouTube. Desde a estreia, o filme entrou no radar de investigadores por causa do volume de recursos atribuído à produção e das suspeitas sobre a origem do financiamento.

Defesa cita fundo nos EUA, mas perícia ainda não encerra suspeitas

A tese apresentada pela produtora é que o dinheiro não saiu do contrato investigado em São Paulo. Para sustentar essa versão, a defesa relaciona os gastos ao Havengate e menciona Daniel Vorcaro como responsável por aporte de R$ 61 milhões ao fundo.

O ponto sensível é que a perícia privada funciona como peça de defesa, não como conclusão oficial. Para produzir efeito no inquérito, a versão precisará ser confrontada com extratos, contratos, beneficiários dos pagamentos e eventuais repasses entre empresas, fundo e pessoas ligadas à produção.

Também pesa sobre o caso a diferença entre os R$ 75 milhões declarados como custo do filme e outros valores citados no entorno das negociações. A investigação trata essa divergência como uma das chaves para definir se a produção teve financiamento privado regular ou se houve uso indireto de recursos sob suspeita.

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Perícia desloca disputa para a origem do dinheiro

Com a entrega da perícia, a defesa ganha uma linha formal para sustentar que Dark Horse foi bancado por recursos privados. Ao mesmo tempo, a falta de detalhamento sobre destinatários e controladores mantém aberta a frente principal do inquérito: reconstruir o caminho do dinheiro.

As autoridades responsáveis pela investigação devem avaliar se a documentação apresentada basta para separar a produtora do contrato de R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo. Até que essa análise avance, a perícia reforça a estratégia da defesa, mas não elimina a apuração sobre possível desvio de verba pública.