A Corte Distrital Central de Seul condenou nesta sexta-feira (12) o ex-presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol, de 65 anos, a 30 anos de prisão por auxílio ao inimigo e abuso de poder no caso do envio de drones à Coreia do Norte.
A sentença trata de uma operação realizada sobre Pyongyang em outubro de 2024. Para o tribunal, Yoon participou de uma conspiração para criar um pretexto político à lei marcial que decretaria dois meses depois, em uma das rupturas institucionais mais graves da história recente da Coreia do Sul.
A lei marcial foi anunciada em dezembro de 2024 sob a justificativa de ameaças vindas da Coreia do Norte, mas durou pouco. O Parlamento sul-coreano derrubou a medida em menos de seis horas, impondo uma derrota imediata ao então presidente e abrindo a crise que levou ao avanço dos processos criminais contra ele.
Yoon, eleito em 2022 depois de construir carreira como procurador, já acumulava duas condenações antes da decisão desta sexta. Em janeiro de 2025, recebeu pena de cinco anos. Em fevereiro de 2026, foi condenado à prisão perpétua por insurreição. A nova pena de 30 anos amplia o peso judicial de um caso que mistura segurança nacional, abuso de poder e tentativa de ruptura democrática.
Sentença mira a ligação entre drones e lei marcial
O ponto central da condenação é a interpretação de que a incursão de drones sobre a capital norte-coreana não foi um episódio isolado de tensão militar. A corte concluiu que a operação serviu ao plano político de justificar medidas de exceção dentro da Coreia do Sul.
Essa leitura torna a decisão especialmente sensível. As duas Coreias seguem tecnicamente em guerra desde 1953, quando o armistício encerrou os combates da Guerra da Coreia sem produzir um tratado de paz definitivo. Qualquer ação militar na fronteira ou sobre território norte-coreano carrega risco de escalada em uma das regiões mais vigiadas do mundo.
A condenação também atinge um país central para a estratégia dos Estados Unidos no Pacífico e para cadeias globais de tecnologia. A Coreia do Sul é aliada militar de Washington, abriga tropas americanas e tem papel decisivo na produção de semicondutores, setor sensível para a economia mundial.
Crise sul-coreana ganha novo capítulo judicial
A decisão reforça a dimensão inédita da queda de Yoon. Um presidente eleito democraticamente passou de chefe de Estado a réu condenado em processos ligados à tentativa de impor lei marcial e ao uso da tensão com a Coreia do Norte como instrumento de poder interno.
A sentença ainda deve passar pelas etapas formais do sistema judicial sul-coreano, incluindo eventual recurso. O tribunal também terá de tratar a integração prática das penas já impostas a Yoon, que agora soma condenações de cinco anos, prisão perpétua e mais 30 anos.
Por ora, a consequência concreta é política e judicial: a Coreia do Sul acrescenta uma nova condenação pesada ao processo de responsabilização de seu ex-presidente, enquanto tenta preservar a estabilidade institucional em meio à tensão permanente com Pyongyang.











