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Economia

Raízen protocola plano de R$ 64,7 bi e assembleia desta segunda pode selar o acordo

Assembleia deste domingo às 13h pode selar definitivamente o acordo de reestruturação da empresa piracicabana

· 4 min de leitura · Por Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • Raízen protocola plano de R$ 64,7 bi com 75,45% de adesão de credores na 3ª Vara de Falências de São Paulo
  • Assembleia deste domingo (8) às 13h: sem rejeição, adesão ao plano torna-se irrevogável automaticamente
  • Shell aporta R$ 3,5 bilhões; Aguassanta (família Ometto) pode somar mais R$ 500 milhões
  • 45% da dívida converte-se em ações; 55% refinanciado via novos instrumentos de dívida
  • Empresa se divide em duas: Raízen Combustíveis e Raízen Energia; implementação prevista até março de 2027

O plano de recuperação extrajudicial da Raízen — empresa piracicabana que concentra as operações de biocombustíveis e distribuição de combustíveis da parceria Cosan-Shell — chegou ao tribunal nesta semana com 75,45% de adesão dos credores. Agora, uma assembleia marcada para hoje (8), às 13h, pode tornar esse acordo definitivo e irrevogável sem necessidade de novos trâmites.

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Protocolo e o quórum que travou o calendário

Na quinta-feira (5), a Raízen protocolou formalmente o plano na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. O documento reuniu a adesão de bancos, debenturistas locais e bondholders internacionais, chegando a 75,45% do total de credores. A assembleia da 4ª emissão de debentures, realizada em 3 de junho, aprovou a entrada no plano por 65,69% dos títulos em circulação — quórum suficiente para deliberação.

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Os debenturistas das 2ª, 3ª e 4ª emissões aprovaram a adesão de forma unânime. Com isso, a empresa ultrapassou o mínimo exigido e pôde protocolar o plano — encerrando a fase de captação de adesões que durou meses.

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Assembleia de hoje define o ponto sem volta

A reabertura das assembleias nesta segunda-feira (8), às 13h, é o evento mais crítico do processo. A regra é simples: se os debenturistas reunidos não rejeitarem o plano — e se a Raízen não apresentar uma versão materialmente diferente à Justiça — a adesão já conquistada se torna irrevogável e irretratável de forma automática, sem precisar de novas formalidades.

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Ou seja: se a assembleia não atingir quórum, ou se não houver votos contrários suficientes, o acordo simplesmente trava em definitivo. A Raízen não precisaria voltar ao tribunal para pedir homologação em nova rodada.

Shell entra com R$ 3,5 bi; família Ometto pode somar mais R$ 500 mi

O plano prevê uma injeção de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell, sócia de 44% da Raízen, a R$ 0,25 por ação. Em paralelo, a Aguassanta Participações — holding da família Rubens Ometto, que controla a Cosan e, por consequência, a Raízen — pode aportar até R$ 500 milhões adicionais, embora esse segundo aporte ainda não esteja formalmente comprometido.

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45% da dívida vira ação; empresa se divide em duas

A estrutura do plano transforma parte expressiva do passivo em participação acionária: 45% da dívida reestruturada se converte em ações da companhia. Os outros 55% são refinanciados em novos instrumentos — 17,6% alocados na futura Raízen Energia (etanol de segunda geração e operações na Argentina) e 37,4% na Raízen Combustíveis (distribuição no Brasil).

A cisão em duas empresas independentes está no centro da reestruturação. A divisão separa o negócio mais maduro — a rede de postos e distribuição — do braço que concentrou os investimentos mais arriscados, como a aposta em etanol avançado que pesou no balanço desde 2023.

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Próximos passos: PGFN e prazo até março de 2027

Dois pontos ainda pendentes podem afetar o cronograma. O primeiro é a aprovação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), que precisa endossar o tratamento dado às dívidas fiscais incluídas no plano. O segundo é o prazo de implementação: o acordo precisa estar operacional até 31 de março de 2027.

A Raízen acumulou o endividamento de R$ 64,7 bilhões financiando uma expansão agressiva — que incluiu a construção de dez usinas de etanol de segunda geração — em um período de juros altos e preços de commodities voláteis. O processo de recuperação extrajudicial foi aberto em março de 2026, após o vencimento automático de uma emissão de debentures.


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