O cabeleireiro Mikael Santos Lima, 29 anos, saiu de moto de casa em Franca, no interior de São Paulo, na tarde de 27 de maio, a caminho de um velório. Não voltou. Durante os dias que se seguiram, sua família recebeu contatos exigindo R$ 50 mil em troca de informações sobre seu paradeiro. Na tarde de quarta-feira (3 de junho), o corpo foi encontrado em avançado estado de decomposição na zona rural do Paiolzinho, com marcas de disparos de arma de fogo. A moto estava no local.
O sepultamento ocorreu no dia seguinte, 4 de junho, no Cemitério Santo Agostinho. Sua mãe, Mônica Pereira Santos Lima, identificou o corpo. “Nenhuma dúvida. E temos prova”, disse ela ao pedir justiça publicamente, afirmando que o filho “descansa em paz” após o sofrimento.
Amigo filmado no mesmo trajeto é preso por extorsão
Ainda durante o desaparecimento, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Franca identificou e prendeu Thalys Rafael, amigo de Mikael, em 29 de maio. Ele havia contatado a família cobrando R$ 50 mil por informações. Imagens de câmeras de segurança mostram Thalys dirigindo em direção a Claraval (MG) e Mikael logo atrás, na moto, minutos depois — trajetória que o delegado responsável descreveu como inequívoca: “Fica claro nas imagens que os dois estavam juntos.”
O último sinal do celular de Mikael foi registrado na região da Vila São Sebastião. Durante os interrogatórios, os investigadores apontaram que Thalys “apresenta versões fantasiosas, não identifica supostos comparsas” e descartou o aparelho usado nas comunicações com a família. Ele tem histórico criminal, com envolvimento em investigações de roubo em outubro de 2025 e foi preso preventivamente.
Motivação e possíveis cúmplices ainda investigados
A Polícia Civil enquadrou o caso, inicialmente, como extorsão mediante sequestro com resultado morte. A motivação ainda não foi estabelecida — as linhas investigadas incluem dívidas e envolvimento afetivo, entre outras hipóteses não divulgadas. A DIG segue ouvindo testemunhas, aguarda os laudos periciais completos e busca identificar se Thalys agiu sozinho ou contou com cúmplices. O delegado afirmou que as evidências coletadas apontam para o envolvimento direto do suspeito no desaparecimento, na morte e na extorsão.










