O Brasil registrou 42.590 homicídios em 2024, menor taxa em 11 anos, no Atlas da Violência 2026 lançado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em 26 de maio.
O dado central é uma queda de 7,4% sobre 2023, quando foram contabilizados 45.747 homicídios. O leitor, porém, ainda não consegue saber com segurança quais estados pioraram em 2024 apenas com os dados públicos destacados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública afirma que o resultado confirma redução de homicídios e melhora no enfrentamento à violência. O contraponto está no próprio Atlas: a subnotificação preocupa e impede leitura simples sobre a queda nacional.
Contexto: a queda desde o pico de 2017
A série histórica do Atlas da Violência começa em 2014. O maior patamar informado ocorreu em 2017, com 30,8 homicídios por 100 mil habitantes. Em 2023, a taxa foi de 21,2 por 100 mil; em 2024, caiu para 20,1 por 100 mil.
A queda absoluta de 2023 para 2024 foi de 3.157 mortes. A tendência já aparecia no ciclo anterior: a Secretaria de Comunicação Social da Presidência informou, no Atlas de 2025, que havia 51.608 homicídios ocultos entre 2013 e 2023, média anual de 4.692 casos não contabilizados.
A concentração regional também limita a leitura agregada. O levantamento aponta 17 das 20 cidades mais violentas com mais de 100 mil habitantes no Nordeste. Entre os estados citados como mais violentos estão Amapá, Bahia, Pernambuco e Alagoas, este último com taxa de 35,9 homicídios por 100 mil habitantes em 2024.
A decisão de olhar a taxa nacional sem separar subnotificação e concentração regional repete uma lacuna já observada na cobertura anterior do PIRANOT sobre o Atlas da Violência de 2025: o país melhora na média, mas o risco permanece distribuído de forma desigual.
Próximos passos: dados estaduais ainda dependem de detalhamento
O encaminhamento confirmado é o uso do Atlas por órgãos federais na formulação de políticas de segurança pública. O Ministério da Justiça informa que utiliza os dados para orientar ações, mas não detalha, no material citado, o custo das políticas por estado.
Também seguem sem resposta pública consolidada quais unidades da federação tiveram aumento de homicídios em 2024, qual foi a variação específica de feminicídios e como a subnotificação altera o quadro no Norte e no Nordeste. Sem essas tabelas oficiais detalhadas, não é possível afirmar quais estados melhoraram ou pioraram.
A próxima etapa jornalística é acompanhar a publicação de bases desagregadas e notas metodológicas adicionais do Ipea e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Até lá, o dado seguro é a queda nacional; a dúvida prática continua sendo onde essa queda chegou e onde ela não apareceu.








