Em 7 de junho, a Opep+ aprovou a alta de 188 mil barris por dia na produção de petróleo, com entrada em vigor em julho. É o quarto ajuste anunciado em 2026 e busca reduzir a pressão sobre as cotações internacionais, em um momento de preços ainda em alta.
Sete países da organização — Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã — endossaram a nova meta. Em relatórios de mercado, a folga costuma aparecer arredondada em torno de 200 mil barris por dia.
Ormuz segue sendo o filtro entre decisão e preço
O Estreito de Ormuz responde por fatia relevante do fluxo global de petróleo. Com o ambiente de segurança tenso entre os países da região, atravessá-lo ficou mais caro e mais imprevisível, elevando custo de frete e seguro. Se houver novas interrupções, o ganho de oferta pode demorar a chegar aos preços internacionais.
Em maio, antes do anúncio, o Brent já voltava a ficar perto de US$ 120 por barril. Com a decisão em vigor, o termômetro para o mercado será a reação de Brent e WTI junto à capacidade de trânsito em Ormuz nas primeiras semanas de julho.
Impacto no Brasil depende da cadeia de repasse
No Brasil, o efeito não é automático. Gasolina, diesel e gás de cozinha recebem o preço do barril internacional, mas também o repasse da Petrobras, custos logísticos, câmbio e carga tributária. Por isso, um anúncio global pode não virar alívio imediato na bomba.
Até agora, a Petrobras não anunciou ajuste específico relacionado à nova cota da Opep+. O que vem na sequência é acompanhar o ciclo de julho: se Ormuz atravessar o trimestre sem choques e as cotações recuarem de forma sustentada, cresce a chance de algum abrandamento no bolso; se houver novo incidente no Estreito, a pressão sobre combustíveis e inflação segue elevada.








