O papa León XIV desembarca neste sábado (6) na Espanha para uma visita de sete dias, a primeira viagem internacional de peso desde o atrito público com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em maio.
A agenda oficial, divulgada pela Conferência Episcopal Espanhola, vai até 12 de junho e inclui discurso no Congresso dos Deputados e missa campal em Cibeles, em Madri. É a estreia europeia do primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos depois do choque diplomático com a Casa Branca.
Em 6 de maio, León XIV rejeitou declaração de Trump segundo a qual o Vaticano apoiaria o programa nuclear iraniano. “Minha missão é pregar a paz”, afirmou o papa, em resposta divulgada pela imprensa internacional. Dias depois, Trump voltou a atacar o pontífice e disse que ele estaria “colocando em perigo muitos católicos”.
Um papa americano em rota de colisão com a Casa Branca
León XIV, nome adotado por Robert Francis Prevost, nasceu em Chicago e também tem cidadania peruana. A origem americana dá outra dimensão ao confronto: pela primeira vez, um papa dos Estados Unidos contesta abertamente um presidente americano em exercício.
O primeiro ano de pontificado foi marcado pela defesa de migrantes e por críticas a ações militares, linha que ajuda a explicar a reação rápida à fala de Trump sobre o Irã. Associar o Vaticano ao apoio a armas nucleares contrariava a postura que León XIV sustenta desde a posse.
A escolha da Espanha como primeiro grande destino europeu também tem peso simbólico. O país tem uma das maiores populações católicas da Europa Ocidental e abriga uma comunidade hispano-americana sensível tanto ao discurso migratório do papa quanto às políticas de imigração do governo Trump, que passou a exigir, no fim de maio, que estrangeiros deixem os Estados Unidos para pedir green card.
Discurso no Congresso e missa em Cibeles marcam a agenda
Entre os compromissos confirmados estão um pronunciamento histórico no Congresso espanhol — o primeiro de um papa na atual sede do Legislativo — e uma missa multitudinária na Praça de Cibeles, em Madri. Encontros com o rei Felipe VI e com autoridades de governo também integram o roteiro.
A viagem ocorre semanas antes da cúpula do G7 na França, em junho, na qual Trump deve participar. A coincidência de calendário projeta a possibilidade de novos atritos entre Vaticano e Casa Branca em torno da pauta nuclear iraniana, tema em que Trump tem condicionado um acordo com Teerã à normalização de laços árabes com Israel.
León XIV deixa a Espanha em 12 de junho. Até lá, cada aparição pública do papa será lida sob a chave da disputa com Washington — e do espaço que o pontífice americano busca firmar na diplomacia da paz.











