Oito dos 11 casos de hantavírus registrados no navio de cruzeiro MV Hondius são da cepa Andes, a única conhecida por sua capacidade de transmissão entre pessoas, confirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS) em 13 de maio de 2026. O surto já resultou em três mortes — duas confirmadas e uma provável — e levou a infecções em três países após o desembarque dos passageiros.
A idade média dos passageiros afetados era de 65 anos, fator que agrava o risco de evolução para formas graves da doença, como a síndrome cardiopulmonar por hantavírus (SCPH). A SCPH pode ter letalidade de até metade dos casos, especialmente entre idosos.
A OMS considera baixo o risco para a saúde pública global, mas classifica como moderado o risco para quem esteve a bordo. A entidade monitora novos casos devido ao período de incubação do vírus, que pode se estender por várias semanas.
Cepa Andes permite transmissão entre humanos
“A cepa Andes é a única conhecida por permitir transmissão entre pessoas”, afirmou a OMS em comunicado. A transmissão interpessoal ocorre geralmente em situações de contato próximo e prolongado. “O ambiente do navio, com espaços compartilhados e convivência intensa, pode ter favorecido esse tipo de exposição”, acrescentou a entidade.
Além dos oito casos confirmados da cepa Andes, há dois casos prováveis e um inconclusivo sob análise.
Casos se espalham para França, Espanha e EUA
Após o desembarque, infecções relacionadas ao surto foram identificadas em três países. Na França, um caso confirmado apresentou sintomas durante o retorno ao país. Na Espanha, um passageiro testou positivo ao chegar, mas permanece sem sintomas. Nos Estados Unidos, o paciente teve resultados divergentes em exames e passa por nova testagem.
A OMS monitora novos casos devido ao período de incubação e ao deslocamento internacional dos passageiros. A entidade reforça que, embora o risco global seja baixo, a gravidade da doença exige atenção.
Hantavírus no Brasil tem letalidade de 46,5%
No Brasil, o hantavírus se manifesta predominantemente como síndrome cardiopulmonar, com transmissão por roedores silvestres — diferente da cepa Andes, que também se espalha entre humanos. Segundo o Ministério da Saúde, entre 2013 e 2023 foram confirmados 758 casos e 299 óbitos no país, uma taxa de letalidade de 46,5%. Historicamente, esse índice varia entre 39% e 54%.
“A doença pode evoluir para formas graves. A síndrome cardiopulmonar associada ao hantavírus pode apresentar alta taxa de letalidade, chegando a até metade dos casos em algumas situações”, alertou a OMS, destacando que isso é especialmente crítico entre idosos e pessoas com outras condições de saúde. A entidade recomenda que viajantes que estiveram no MV Hondius fiquem atentos a sintomas como febre, dores musculares e dificuldade respiratória nas próximas semanas.
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