O presidente chinês Xi Jinping alertou Donald Trump, então presidente dos EUA, em reunião de mais de duas horas em Pequim no dia 14 de maio de 2026. Xi afirmou que desentendimentos sobre Taiwan podem levar a um “conflito armado” entre as duas potências. Os EUA, por sua vez, omitiram o tema do resumo oficial do encontro, focando em acordos comerciais.
A advertência ocorreu durante a primeira cúpula bilateral entre os líderes em quase uma década, com o objetivo de consolidar a trégua comercial firmada em outubro de 2025. Xi classificou Taiwan como “o assunto mais importante” nas relações China-EUA, conforme divulgado pela emissora estatal CCTV e pela agência Xinhua.
“Se mal administrada, a situação entre as duas nações pode levar a um confronto ou mesmo a um conflito armado”, afirmou Xi. O presidente chinês acrescentou que isso colocaria “toda a relação China-EUA em uma situação extremamente perigosa”, em declaração divulgada pela imprensa estatal chinesa.
Xi coloca Taiwan como linha vermelha em reunião bilateral
A declaração de Xi ocorreu em um momento de alta tensão geopolítica. A China reivindica Taiwan como parte de seu território e considera a ilha uma província rebelde. Os EUA, por sua vez, mantêm compromisso legal de fornecer meios de defesa a Taiwan. Um pacote de armas americanas no valor de US$ 14 bilhões aguardava aprovação de Trump à época do encontro.
O analista geopolítico Joe Mazur, da consultoria Trivium China, avaliou que o recado foi direto. “Ele está avisando o lado americano, sem rodeios, para não brincar com isso”, afirmou o especialista.
EUA focam em comércio e ignoram alerta
O resumo oficial da Casa Branca sobre a reunião não mencionou Taiwan em nenhum momento. Em vez disso, o documento destacou o desejo compartilhado de reabrir a via marítima do Estreito de Ormuz, que estava praticamente fechada devido à guerra com o Irã. Também foi ressaltado o aparente interesse de Xi em comprar petróleo americano para reduzir a dependência chinesa do Oriente Médio.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, esperava avanços em mecanismos comerciais e um anúncio de grandes encomendas chinesas de aeronaves da Boeing. Trump, por sua vez, esperava que Xi levantasse a questão das vendas de armas para Taiwan – o que não foi mencionado no comunicado americano.
“A política americana sobre Taiwan, ilha que a China reivindica como parte do seu território, permanece inalterada”, afirmou o secretário de Estado Marco Rubio, em resposta a jornalistas após a reunião.
Analistas veem risco de escalada na retórica
A divergência na comunicação pós-cúpula gerou preocupação entre analistas. Enquanto a China detalhou o alerta de Xi sobre conflito armado, os EUA trataram o tema como secundário. Para Mazur, a omissão americana pode ser interpretada como uma tentativa de minimizar a gravidade do assunto, e o tom de Xi foi incomumente direto.
A China considera Taiwan uma província rebelde e busca sua reunificação, inclusive por meios militares, se necessário. Os EUA, sob a política de “uma só China”, comprometem-se a ajudar Taiwan a se defender, incluindo a venda de armas. O pacote de US$ 14 bilhões permanece como ponto de atrito.
Trump, por sua vez, classificou a cúpula como potencialmente “a maior de todas”, segundo declaração no início do encontro. As negociações comerciais foram descritas como “equilibradas e positivas” por Xi, e a questão de Taiwan pairou como uma sombra sobre o futuro das relações bilaterais.
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