Na noite de sábado, 9 de maio de 2026, uma celebração de união terminou em tragédia no bairro DIC 4, em Campinas, interior de São Paulo. O guarda municipal Daniel Barbosa Marinho, de 55 anos, matou a tiros sua esposa, Nájylla Duenas Nascimento, de 34 anos, durante a festa do próprio casamento. O crime, que chocou a comunidade local, ocorreu após uma discussão entre o casal. O suspeito foi preso em flagrante pela Polícia Civil.
Daniel Barbosa Marinho integrava a Guarda Civil Municipal de Campinas desde 1998, acumulando 27 anos de serviço na corporação, conforme informações da Prefeitura de Campinas. Nájylla Duenas Nascimento, natural de Manaus (AM), era mãe de três filhos – um deles fruto do relacionamento com o guarda. O casal havia oficializado a união horas antes, e a festa reunia familiares e amigos na residência da família.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Civil do Estado de São Paulo, a discussão que motivou o crime teria começado por ciúmes. Testemunhas relataram que, durante a confraternização, o guarda se desentendeu com a esposa. Em determinado momento, ele sacou uma arma de fogo e efetuou múltiplos disparos contra ela. A vítima foi atingida por pelo menos 10 tiros, segundo apuração da imprensa, e morreu no local antes da chegada do socorro.
O delegado responsável pelo caso, da Delegacia de Defesa da Mulher de Campinas, afirmou em entrevista coletiva que “não há dúvidas de que se trata de feminicídio, pois o crime foi cometido no contexto de violência doméstica e familiar, com menosprezo à condição de mulher”. A Polícia Científica realizou perícia na cena do crime e recolheu cápsulas de munição, que serão analisadas para confirmar o calibre e a arma utilizada.
Prisão e repercussão do feminicídio
A prisão em flagrante de Daniel Barbosa Marinho foi convertida em prisão preventiva pela Justiça de São Paulo no dia seguinte ao crime. O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) se manifestou favorável à manutenção da prisão, destacando a gravidade do delito e o risco de reiteração criminosa. O guarda municipal foi autuado por feminicídio qualificado e violência doméstica, podendo pegar pena de 12 a 30 anos de reclusão.
O caso reacendeu o debate sobre o porte de arma funcional por agentes de segurança pública fora do horário de serviço. A Guarda Civil Municipal de Campinas informou, em nota, que “lamenta profundamente o ocorrido e colabora com as investigações, tendo instaurado procedimento administrativo interno para apuração de responsabilidades”. A corporação confirmou que a arma utilizada no crime era de propriedade do agente, mas não detalhou se era a arma funcional ou particular.
Nájylla Duenas Nascimento deixa três filhos órfãos, que estão sob os cuidados de familiares. A comoção entre vizinhos e amigos foi imediata, e uma campanha solidária foi organizada para custear o traslado do corpo para Manaus, onde a vítima será sepultada.
Para a socióloga e pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da USP, “o feminicídio praticado por agentes de segurança com arma funcional expõe uma falha sistêmica no controle e na prevenção da violência doméstica dentro das corporações. É preciso rastrear sinais de risco e oferecer suporte psicossocial a esses profissionais”.
O crime está sendo investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher de Campinas, e o inquérito deve ser concluído em 30 dias. Enquanto isso, Daniel Barbosa Marinho permanece detido no Centro de Detenção Provisória de Campinas, à disposição da Justiça.











