Um policial militar preso em flagrante após confessar o assassinato da amante a tiros em Avaré, interior de São Paulo, expôs a contradição entre o discurso institucional de combate ao feminicídio e a violência praticada por agentes do Estado. O crime ocorreu com arma da corporação, após um encontro não planejado em um supermercado.
O caso, registrado em 5 de maio de 2026, é investigado como feminicídio pela Polícia Civil de São Paulo. A vítima, Eurídice Augusta de Souza Michelin, de 57 anos, era conhecida na cidade pelo engajamento na causa animal, conforme apurado pela corporação.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que, no primeiro trimestre de 2026, os feminicídios em São Paulo cresceram 41% em relação ao mesmo período do ano anterior. O estado registrou 266 casos ao longo de 2025, segundo a Secretaria da Segurança Pública.
Confissão e detalhes do crime
O policial militar José Augusto de Andrade Paifer, 40 anos, confessou o homicídio em depoimento, mas recusou-se a realizar o exame residuográfico para detectar vestígios de pólvora. A defesa do PM não se manifestou até o momento.
De acordo com a Polícia Civil, a discussão que culminou nos disparos começou em um supermercado onde Paifer estava acompanhado da esposa. A briga se estendeu até o carro de Eurídice, onde o PM efetuou os tiros. O investigado alegou, em depoimento, ser vítima de ameaças e chantagem por parte da amante, mas esses detalhes não foram confirmados oficialmente pelas autoridades.
A nova comandante da Polícia Militar, empossada em 29 de abril, havia estabelecido o combate à violência doméstica como prioridade. “Não vamos tolerar nenhum tipo de violência contra a mulher, venha de onde vier”, declarou durante a cerimônia de posse, conforme divulgado pela corporação.
Perfil da vítima e dinâmica do relacionamento
Eurídice mantinha um relacionamento extraconjugal com o PM, marcado por encontros sigilosos e tensões crescentes, segundo as investigações. O vínculo entre os dois era conhecido em Avaré, onde ela atuava na proteção de animais.
A dinâmica do relacionamento expõe a complexidade de casos de violência de gênero envolvendo agentes do Estado. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que, em 2025, ao menos 12% dos feminicídios em São Paulo foram cometidos por policiais ou ex-policiais.
A confissão do PM contrasta com o discurso institucional de combate à violência contra a mulher. O caso revela o desafio de conter a escalada do feminicídio quando agentes de segurança figuram como autores, minando a confiança nas instituições e evidenciando que as medidas de prevenção ainda são insuficientes.
O corpo de Eurídice foi velado em Avaré, e o caso segue sob investigação da Polícia Civil. O PM permanece preso à disposição da Justiça.
❓ Perguntas frequentes
Quem é o policial militar preso por feminicídio em Avaré?
José Augusto de Andrade Paifer, 40 anos, foi preso em flagrante em 5 de maio de 2026 após confessar ter matado a tiros a amante Eurídice Augusta de Souza Michelin, 57 anos, em Avaré, interior de São Paulo.
Qual foi a motivação do crime segundo o PM?
Em depoimento, o PM alegou ser vítima de ameaças e chantagem por parte da amante, mas a Polícia Civil não confirmou oficialmente esses detalhes. A discussão começou em um supermercado onde ele estava com a esposa.
Como está a situação dos feminicídios em São Paulo?
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram alta de 41% nos feminicídios no primeiro trimestre de 2026 em relação ao ano anterior. Em 2025, foram 266 casos, e ao menos 12% tiveram policiais ou ex-policiais como autores.
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