Um pastor evangélico de Fortaleza foi preso sob suspeita de abusar sexualmente de fiéis durante rituais de ‘cura espiritual’ e de ameaçar as vítimas com a intervenção de uma facção criminosa. A prisão preventiva de Alan Pereira Vicente, de 37 anos, foi efetuada pela Polícia Civil do Ceará após denúncias colhidas pela Delegacia de Defesa da Mulher.
As investigações apontam que o líder religioso simulava diagnosticar tumores e ‘bolas de sangue’ no corpo das vítimas para justificar toques íntimos. Uma estudante de 27 anos relatou que o pastor afirmou que ela precisava de ‘cura íntima’ e a submeteu aos abusos em 2025.
O caso expõe um padrão de violência que combina manipulação espiritual com intimidação pelo crime organizado. Conforme a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), o suspeito ameaçava acionar uma facção criminosa caso as mulheres formalizassem denúncias.
O golpe da falsa cura
A Polícia Civil do Ceará detalhou que Alan Pereira Vicente usava uma narrativa mística para consumar os crimes. Ele dizia às vítimas que era preciso ‘retirar o mal do corpo’ e simulava a extração de ‘pregos espirituais’ durante as sessões.
“Ele afirmava que, se ela o denunciasse, mandaria os ‘meninos’ resolverem”, declarou o delegado responsável pelo caso, em entrevista coletiva. A fala consta no inquérito policial.
A prisão ocorreu após a Delegacia de Defesa da Mulher reunir relatos de ao menos três vítimas. Os abusos, conforme a SSPDS, aconteciam sob o pretexto de curar enfermidades diagnosticadas falsamente pelo próprio pastor.
Ameaças e ligação com o crime organizado
As apurações revelam que a coação extrapolava o ambiente religioso. O investigado usava o medo da violência urbana para aprofundar a submissão psicológica das fiéis, segundo a SSPDS.
“Ele dizia que era preciso retirar o mal para que a cura acontecesse”, declarou uma das vítimas em depoimento à polícia. A frase ilustra como o discurso espiritual era usado para encobrir os toques abusivos.
A conexão com facções criminosas adiciona uma camada de terror que diferencia este caso de outros abusos em contextos religiosos. Dados do Disque 100, serviço do Ministério dos Direitos Humanos, mostram que o Brasil registrou 167 denúncias de violência sexual por líderes religiosos entre 2016 e 2019.
Um problema nacional subnotificado
O número de denúncias, embora alarmante, é considerado subnotificado por especialistas. O Ministério dos Direitos Humanos reconhece que o medo e a relação de autoridade espiritual inibem as vítimas de buscar ajuda.
A Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos reforça que qualquer pessoa pode denunciar anonimamente pelo Disque 100, com garantia de sigilo. A subnotificação, porém, permanece como obstáculo central para o enfrentamento desse tipo de crime.
O caso de Fortaleza reacende o debate sobre a necessidade de maior fiscalização e acolhimento dentro das comunidades religiosas. A violência sexual em ambientes de fé frequentemente se ampara em discursos místicos para silenciar vítimas e perpetuar abusos.
❓ Perguntas frequentes
Como o pastor abusava das vítimas durante a ‘cura espiritual’?
Ele simulava diagnosticar tumores e ‘bolas de sangue’ no corpo das fiéis para justificar toques íntimos, afirmando que era preciso ‘retirar o mal’ para a cura acontecer.
O que fazer para denunciar abusos por líderes religiosos?
Qualquer pessoa pode denunciar anonimamente pelo Disque 100, serviço do Ministério dos Direitos Humanos. O sigilo é garantido e a denúncia pode ser feita por telefone ou internet.
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