Os Correios encerraram 2025 com um prejuízo de R$ 8,5 bilhões, mais que o triplo do rombo registrado no ano anterior. A situação pressiona a estatal a acelerar uma reestruturação que agora ameaça incluir demissões e fechamento de agências.
A situação financeira se deteriorou rapidamente: foram 14 trimestres consecutivos no vermelho, com a receita incapaz de cobrir despesas operacionais e financeiras, segundo dados oficiais divulgados pela empresa.
Diante desse cenário, a diretoria já reconhece que o Plano de Desligamento Voluntário (PDV), peça central da reestruturação, não será suficiente. “O PDV pode representar 45% da economia necessária, mas não resolve sozinho”, afirmou o presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, em comunicado à imprensa.
PDV atinge só 31% da meta e poupa menos que o esperado
A primeira fase do PDV terminou com a adesão de 3.181 funcionários, apenas 31% da meta de 10.200 desligamentos, conforme balanço da estatal. A economia anual projetada com essas saídas é de R$ 775,7 milhões a partir de 2026, valor bem distante dos R$ 2,1 bilhões esperados para 2028.
O resultado acendeu um alerta sobre a viabilidade do plano. “O número ficou abaixo do esperado, e agora teremos que buscar alternativas”, declarou Fabiano Silva dos Santos em comunicado interno.
Sem o alívio financeiro projetado, os Correios já sinalizam a adoção de medidas mais duras para conter o rombo, incluindo o fechamento de unidades deficitárias e a revisão de contratos, segundo informou a empresa.
Ameaça de demissões e cortes adicionais no horizonte
Com a adesão voluntária muito aquém do necessário, a estatal admitiu que estuda “ações complementares” para cumprir as metas de economia. Apenas 30% da meta global de 15 mil desligamentos foi atingida, o que acendeu o alerta nos sindicatos sobre a possibilidade de demissões compulsórias.
“A empresa não descarta nenhuma medida para equilibrar as contas”, afirmou o presidente dos Correios, em comunicado oficial. A declaração foi interpretada como um sinal de que cortes mais profundos estão no horizonte, caso as adesões voluntárias não avancem.
Para os trabalhadores, o temor é de que a busca por eficiência financeira resulte em uma redução drástica da força de trabalho e na precarização dos serviços postais, afetando diretamente a população que depende dos Correios em regiões remotas.
❓ Perguntas frequentes
Por que os Correios estão com um rombo tão alto?
A estatal acumulou 14 trimestres consecutivos de prejuízo, com receitas insuficientes para cobrir despesas operacionais e financeiras. Em 2025, o déficit atingiu R$ 8,5 bilhões, mais que o triplo do ano anterior.
O que é o PDV dos Correios e por que ele fracassou?
É um Plano de Desligamento Voluntário que oferece incentivos para que funcionários peçam demissão. A primeira fase atraiu apenas 31% da meta de 10.200 adesões, economizando bem menos que o esperado.
Os Correios vão demitir funcionários?
A empresa não descarta medidas como demissões compulsórias. Com a baixa adesão ao PDV, a diretoria já admite buscar ‘ações complementares’ para cortar custos, o que pode incluir dispensas e fechamento de unidades.











