quinta-feira, julho 2
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Tecnologia criada na USP identifica a doença em estágios iniciais, quando a taxa de sobrevida em 5 anos sobe de 3% para 44%

Biossensor identifica câncer de pâncreas em estágios iniciais

Tecnologia criada na USP identifica a doença em estágios iniciais, quando a taxa de sobrevida em 5 anos sobe de 3% para 44%

· 5 min de leitura · Atualizado em 08.05.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT - Editoria de Loterias
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Um biossensor desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) pode revolucionar o diagnóstico do câncer de pâncreas, um dos tumores mais letais. O dispositivo, que utiliza um filme nanoestruturado de ouro e anticorpos, é capaz de detectar a proteína CA 19-9 — principal marcador tumoral da doença — em apenas 10 minutos, com uma gota de sangue e custo estimado 80% inferior aos métodos convencionais. A tecnologia, descrita em artigo na revista científica Biosensors and Bioelectronics, mostrou-se eficaz na identificação de casos em estágios iniciais, quando as chances de cura são significativamente maiores.

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\n\n\n\nO câncer de pâncreas é o terceiro tipo\n\n\n\n

O câncer de pâncreas é o terceiro tipo de tumor mais letal no Brasil, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA). A estimativa para o triênio 2023-2025 é de 11.800 novos casos anuais, com uma taxa de mortalidade que se aproxima da incidência: em 2022, foram 11.133 óbitos pela doença. O principal desafio é o diagnóstico tardio: cerca de 80% dos pacientes descobrem o tumor em estágios avançados, quando a sobrevida em cinco anos não passa de 3%. “Quando detectado precocemente, esse índice sobe para 44%, mas os métodos atuais são caros, demorados e pouco acessíveis”, explica o professor Osvaldo Novais de Oliveira Junior, coordenador do Grupo de Polímeros do Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP) e um dos autores do estudo.

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Atualmente, o exame padrão para monitoramento do CA 19-9 é o ELISA (ensaio de imunoabsorção enzimática), que pode levar horas ou dias para ficar pronto e exige infraestrutura laboratorial complexa. O novo biossensor, por outro lado, é portátil e pode ser operado por profissionais de saúde sem treinamento especializado. “Nossa ideia é que ele seja usado em postos de saúde e clínicas menores, descentralizando o acesso ao diagnóstico precoce”, afirma Oliveira Junior.

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Como funciona

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O dispositivo é baseado em uma técnica chamada ressonância de plasmon de superfície localizada (LSPR, na sigla em inglês). Uma fina camada de ouro depositada sobre um substrato de vidro é funcionalizada com anticorpos específicos para a proteína CA 19-9. Quando uma amostra de sangue é aplicada, a interação entre o antígeno e o anticorpo altera o índice de refração da superfície, gerando um sinal óptico que é captado por um espectrômetro portátil. O resultado sai em cerca de 10 minutos, com sensibilidade comparável à do ELISA, mas com custo de produção estimado em R$ 10 por teste, contra R$ 50 a R$ 100 dos métodos tradicionais.

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“Conseguimos detectar concentrações de CA 19-9 de até 0,5 U/mL, o que é suficiente para identificar casos iniciais. Em pacientes com câncer, os níveis costumam ultrapassar 37 U/mL, mas o importante é que o sensor também diferencia pancreatite e outras condições benignas, que podem elevar temporariamente o marcador”, detalha a pesquisadora Juliana Coatrini Soares, primeira autora do artigo.

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A equipe testou o biossensor em 147 amostras de sangue de pacientes do Hospital de Câncer de Barretos e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). Os resultados mostraram acurácia de 92% na distinção entre amostras saudáveis e cancerosas, com especificidade de 88% e sensibilidade de 94%. O estudo também incluiu casos de pancreatite crônica, que podem gerar falsos positivos no exame de CA 19-9. “O sensor conseguiu diferenciar esses casos, o que é um avanço importante para evitar diagnósticos equivocados”, ressalta Coatrini.

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Impacto

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A inovação chega em um momento crítico. Dados do Datasus mostram que as internações por câncer de pâncreas no SUS cresceram 28% entre 2015 e 2022, passando de 8.400 para 10.800 por ano. O custo médio por internação é de R$ 4.200, e o tempo médio entre os primeiros sintomas e o diagnóstico pode ultrapassar seis meses. “Se conseguirmos encurtar essa janela, o impacto na sobrevida e na economia do sistema de saúde será enorme”, avalia o oncologista Paulo Hoff, presidente do conselho do Icesp.

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O biossensor ainda precisa passar por validação em larga escala e aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) antes de chegar ao mercado, mas a equipe já trabalha em parceria com uma startup para produção industrial. A expectativa é que o dispositivo esteja disponível em até três anos. “Queremos que ele seja uma ferramenta de triagem, especialmente para grupos de risco, como pessoas com histórico familiar, pancreatite crônica ou diabetes tipo 2 de início recente”, diz Oliveira Junior.

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Enquanto isso, a ciência brasileira celebra mais um passo na luta contra um câncer que, segundo o INCA, deve se tornar a segunda causa de morte por tumor no país até 2030. “É um exemplo de como a pesquisa básica pode gerar soluções concretas para a saúde pública”, conclui Hoff.

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