domingo, julho 5
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Economia

Srour diz que inflação acima da meta reduz margem para cortar a Selic

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Focus projeta IPCA de 5,33% em 2026, acima da meta de 3% perseguida pelo Banco Central
  • Srour avalia que dados melhores no curto prazo não bastam para justificar novo afrouxamento monetário
  • Declaração contrasta com falas do Ministério da Fazenda e apostas de corte após IPCA-15 abaixo do esperado
  • Economista não informou a projeção própria que embasa a avaliação sobre o fim da janela de cortes

A economista Solange Srour, da UBS Wealth Management no Brasil, afirmou neste domingo (5) que o Banco Central já não tem espaço para novos cortes da Selic se o objetivo for levar a inflação ao centro da meta. A avaliação recoloca o debate dos juros no ponto mais sensível para famílias e empresas: o crédito pode continuar caro por mais tempo.

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A taxa básica está em 14,25% ao ano, depois do corte de 0,25 ponto percentual em junho. O alívio foi pequeno, e a discussão agora é se o Comitê de Política Monetária ainda pode repetir o movimento ou se precisa fazer uma pausa para evitar que as expectativas de inflação se afastem ainda mais da meta.

O argumento de Srour parte da distância entre o alvo oficial e as projeções do mercado. A meta de inflação é de 3,0%, enquanto o Focus indica IPCA de 5,33% para 2026. Nesse intervalo de mais de 2 pontos percentuais está a tensão central da política monetária: cortar juros ajuda a atividade econômica, mas pode dificultar a convergência dos preços.

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Focus a 5,33% limita aposta em corte rápido dos juros

O Boletim Focus, compilado pelo Banco Central com estimativas de instituições financeiras, estabilizou em 29 de junho a previsão para o IPCA de 2026 em 5,33%. O número ficou praticamente parado depois de uma sequência de altas e segue distante do centro da meta de 3,0%.

Essa diferença pesa porque o Copom não decide a Selic olhando apenas o dado mais recente de inflação. A autoridade monetária considera a trajetória esperada dos preços, o câmbio, a atividade econômica, o risco fiscal e a credibilidade do regime de metas. Quando as expectativas ficam acima do alvo, a margem para reduzir juros diminui.

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A ata mais recente do Copom deixou aberta a possibilidade de pausa ou de retomada dos cortes, sem antecipar compromisso para a próxima reunião. O comunicado reforçou que a condução da Selic depende da evolução da inflação e das expectativas, especialmente no horizonte usado pelo Banco Central para calibrar a política monetária.

O mercado chegou a aumentar as apostas em novo corte depois de um IPCA-15 abaixo do esperado em 25 de junho. No dia seguinte, porém, o ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman criticou a condução da política monetária e afirmou que a autoridade não fazia força para entregar a inflação na meta. A fala de Srour se alinha a essa leitura mais dura: melhora pontual nos índices não basta se a projeção de 2026 segue longe de 3,0%.

Juro alto segura consumo, investimento e crédito

Para o consumidor, a Selic em 14,25% encarece financiamentos, empréstimos pessoais, parcelamentos e renegociações de dívida. A taxa básica não é o juro cobrado diretamente no cartão ou no crédito bancário, mas serve como referência para o custo do dinheiro em toda a economia.

Nas empresas, o impacto aparece no capital de giro, nos projetos de expansão e no custo de rolar dívidas. Quanto mais alta a Selic, maior tende a ser a exigência de retorno para novos investimentos. Isso ajuda a conter a demanda e, por consequência, a inflação, mas também reduz o ritmo de crescimento.

A divergência entre economistas e governo está justamente nesse equilíbrio. Uma ala defende que a desaceleração recente de alguns indicadores permite continuar o ciclo de cortes. A leitura de Srour é outra: se o Banco Central mirar de fato o centro da meta, a Selic atual já estaria no limite do afrouxamento.

O câmbio também entra na conta. Em 25 de junho, o dólar estava em R$ 5,17, patamar observado em meio à reprecificação dos juros futuros. Movimentos da moeda americana podem afetar bens importados, combustíveis, insumos industriais e expectativas de inflação, ampliando a cautela do Copom.

Próxima decisão do Copom define custo do dinheiro

A próxima decisão do Copom dirá se o Banco Central mantém a Selic em 14,25% ou promove novo corte. Se prevalecer a leitura mais conservadora, o crédito tende a seguir pressionado e o alívio para consumidores e empresas deve demorar. Se a autoridade monetária entender que a inflação perdeu força de forma consistente, pode retomar a redução de juros.

Por enquanto, o dado que organiza o debate é a distância entre a meta de 3,0% e a projeção de 5,33% para o IPCA de 2026. Enquanto essa diferença não diminuir, a defesa de novos cortes terá de enfrentar o argumento central de Srour: juros menores só cabem se o Banco Central aceitar mais risco para a inflação.

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