O governo Lula chega ao fim de junho com avaliação negativa superior à positiva, segundo pesquisa Ipsos/Ipec divulgada nesta segunda-feira (22). O levantamento mostra que 38% dos entrevistados consideram a gestão ruim ou péssima, enquanto 32% a classificam como ótima ou boa.
O resultado deixa o Planalto com saldo desfavorável de 6 pontos percentuais entre os dois polos de avaliação. Outros 28% avaliam o governo como regular, faixa que costuma concentrar eleitores menos consolidados e observados de perto por partidos, parlamentares e campanhas.
A rodada foi feita entre 13 e 17 de junho e funciona como termômetro político para um governo que tenta preservar força no Congresso, negociar pautas econômicas e manter capacidade de articulação em ano de disputa nacional. Popularidade presidencial não decide sozinha uma votação em Brasília, mas pesa no custo das negociações e na disposição de aliados e adversários.
Desaprovação ao modo de governar fica em 50%
Além da avaliação geral da administração, a pesquisa aponta 50% de desaprovação ao modo como Lula governa. Em março, esse indicador estava em 51%, dentro da mesma série. A aprovação ao modo de governar não foi o eixo principal da divulgação, mas ajuda a compor o quadro de resistência ao presidente.
Na comparação com março, a avaliação negativa passou de 40% para 38%, enquanto a positiva foi de 33% para 32%. A leitura correta, porém, é de estabilidade numérica enquanto a margem de erro e a metodologia completa não estiverem publicamente detalhadas. Sem esses parâmetros, não dá para tratar a diferença como virada estatística.
O ponto político mais relevante é a permanência do saldo negativo. Desde o fim de 2024, a série Ipsos/Ipec coloca a avaliação ruim ou péssima acima da ótima ou boa, o que mantém o governo sob pressão mesmo quando há pequenas oscilações entre uma rodada e outra.
Resultado entra na conta do Congresso
Para o Planalto, o dado chega em meio a uma agenda que depende de negociação permanente com Câmara e Senado. Quanto maior a percepção de desgaste do presidente, maior tende a ser o apetite do Congresso por impor custos, alterar projetos e testar vetos do Executivo.
O efeito também alcança estados e municípios. Programas federais, crédito, emendas, repasses e obras passam por decisões tomadas em Brasília, e a força política do presidente influencia a velocidade dessas conversas. Para cidades como Piracicaba e a região, o impacto não aparece na pesquisa localmente, mas pode chegar pela disputa por orçamento e prioridades federais.
A próxima leitura da série dependerá da publicação integral da ficha técnica, especialmente amostra, margem de erro, método de coleta, contratante e eventuais recortes por região, renda e religião. Por ora, o retrato consolidado é que a avaliação negativa supera a positiva, a avaliação regular ocupa quase um terço do eleitorado e a desaprovação ao modo de governar permanece em torno de metade dos entrevistados.











