O Japão vai aumentar em até cinco vezes as taxas cobradas pela emissão de vistos para estrangeiros a partir de julho, no primeiro reajuste do tipo desde 1978. A mudança encarece principalmente pedidos de entrada única e de múltiplas entradas, usados por viajantes que não se enquadram em isenção de curta permanência ou que precisam de autorização para estudo, trabalho, negócios, visita familiar ou estadias mais longas.
A taxa para visto de entrada única passa de 3.000 para 15 mil ienes. Na modalidade de múltiplas entradas, o valor sobe de 6.000 para 30 mil ienes. Em conversão aproximada, os novos patamares equivalem a cerca de R$ 480 e R$ 960, respectivamente, mas a cobrança final no Brasil depende da tabela adotada pelos postos consulares e da regra de câmbio aplicada no momento do pagamento.
Para brasileiros, o impacto não é uniforme. Viagens de curta duração podem estar cobertas por regras de isenção, enquanto pedidos vinculados a permanência prolongada, estudo, trabalho, atividades profissionais, dependentes ou múltiplas entradas tendem a exigir atenção maior. Na prática, quem precisa protocolar visto deve considerar a nova taxa no orçamento antes de fechar passagem, hospedagem e demais custos da viagem.
Quanto fica o visto japonês
Na entrada única, o aumento nominal é de 12 mil ienes. O valor sai de 3.000 para 15 mil ienes, uma alta de 400% sobre a taxa anterior. Em processos com vários solicitantes, como viagens de família ou grupos de intercâmbio, a diferença passa a pesar mais porque a cobrança é feita por pessoa.
No visto de múltiplas entradas, a elevação é de 24 mil ienes. A taxa passa de 6.000 para 30 mil ienes, também cinco vezes o valor anterior. Essa modalidade costuma ser relevante para quem precisa entrar e sair do Japão mais de uma vez dentro do período autorizado, como profissionais em viagem recorrente, estudantes, pesquisadores ou pessoas com compromissos familiares e de negócios.
Os valores em reais devem ser tratados como estimativa, não como preço fechado. Consulados normalmente publicam tabelas locais de emolumentos, e a conversão pode variar conforme câmbio, arredondamentos administrativos e forma de pagamento aceita. Por isso, a referência mais segura para o viajante é sempre a tabela do consulado responsável por sua região no momento do pedido.
Por que o reajuste chama atenção
A taxa estava sem revisão havia quase meio século. Desde 1978, o Japão passou por mudanças profundas no custo de serviços públicos, no volume de viagens internacionais e na estrutura de controle migratório. O reajuste chega em um momento de forte recuperação do turismo no país depois das restrições da pandemia.
O Japão recebeu quase 32 milhões de visitantes estrangeiros em 2019, antes da crise sanitária, e superou a marca de 42 milhões em 2025. A alta de mais de 10 milhões de entradas amplia a pressão sobre aeroportos, serviços consulares, hospedagem, transporte e destinos turísticos, especialmente em cidades como Tóquio, Kyoto e Osaka.
Para o viajante brasileiro, a mudança entra no cálculo de uma viagem que já costuma ter custo elevado por distância, passagens longas, hospedagem, deslocamentos internos e seguro. O impacto direto será maior para quem precisa de visto pago; para quem se enquadra em isenção, a principal recomendação é verificar se o tipo de viagem realmente dispensa autorização prévia.
O que brasileiros devem observar antes de pedir visto
O primeiro passo é identificar a modalidade correta. Turismo de curta duração, estudo, trabalho, estágio, permanência familiar, negócios e múltiplas entradas podem seguir regras diferentes. Um pedido feito na categoria errada pode gerar atraso, custo adicional ou necessidade de novo protocolo.
Também é importante conferir a jurisdição consular. No Brasil, o atendimento costuma ser organizado por área de residência, e cada posto informa procedimentos, documentos exigidos, prazo de análise e forma de pagamento. A nova tabela em ienes define o patamar do reajuste, mas o valor pago pelo solicitante brasileiro será conhecido pela tabela local em reais.
Quem pretende viajar a partir de julho deve revisar o orçamento antes de iniciar o processo. A alta pode ser pequena diante do custo total de uma viagem individual, mas se torna relevante em pedidos familiares, intercâmbios, deslocamentos corporativos e roteiros que exigem múltiplas entradas. O dado central já está definido: a entrada única sobe para 15 mil ienes, e a múltipla entrada passa a 30 mil ienes.











