A safra de inverno do Rio Grande do Sul deve ocupar 1,575 milhão de hectares em 2026, uma queda de 10,76% em relação ao ciclo anterior. A retração é puxada pelo trigo, principal cultura de inverno do Estado, enquanto a canola ganha espaço e mais que dobra a área projetada.
A estimativa atribuída à Emater/RS indica redução de 1.765.702 hectares em 2025 para 1.575.634 hectares em 2026. Na prática, são 190.068 hectares a menos nas lavouras de inverno, movimento relevante em um Estado com peso nacional na produção de trigo e forte ligação com moinhos, farinha, panificação e alimentação animal.
Trigo perde área e muda o desenho da safra
O trigo concentra a principal mudança. A área projetada cai de 1,166 milhão de hectares em 2025 para 814,2 mil hectares em 2026, recuo de 30,18%. A perda de espaço do cereal altera a composição da safra de inverno e acende atenção na cadeia de moagem, que depende da oferta regional para reduzir exposição a custos logísticos e oscilações de mercado.
A canola segue na direção oposta. A cultura passa de 174,4 mil hectares para 353,4 mil hectares, avanço de 102,64%. O crescimento sugere maior busca por alternativas dentro da janela de inverno, em um momento em que produtores avaliam rentabilidade, custos de implantação, rotação de culturas e demanda industrial.
A aveia branca aparece com 387.697 hectares projetados para 2026, queda de 1,38% na comparação anual. A produção estimada da cultura é de 900.221 toneladas, volume 3,79% menor que o registrado no ciclo anterior.
Produção total também recua
A projeção aponta queda também no volume total das culturas de inverno. A produção, que havia sido estimada em 3.733.118 toneladas em 2025, deve recuar 22,15% em 2026. O movimento combina menor área total e mudança de peso entre as culturas, com menos trigo e maior presença da canola.
Para produtores, cooperativas e indústria, a recomposição da área importa porque antecipa uma safra de inverno menos concentrada no trigo. Se confirmada, a mudança pode influenciar planejamento de compra, armazenagem, originação e contratos ao longo de 2026.
O quadro projetado para o Rio Grande do Sul, portanto, é de encolhimento da área de inverno, forte redução do trigo e avanço expressivo da canola. O próximo impacto concreto será sentido nas decisões de plantio e na organização da cadeia para a nova composição da safra.










