A Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou nesta segunda-feira (22), em Brasília, a minuta do primeiro leilão de transmissão de 2026 com um escopo menor do que o previsto inicialmente. O projeto de interligação elétrica com a Bolívia ficou fora da versão aprovada para a disputa.
A mudança reduz a dimensão internacional do certame e concentra o leilão nos empreendimentos domésticos de expansão e reforço da rede de transmissão. A segunda sessão pública do Leilão de Transmissão nº 1/2026 está marcada para 3 de julho.
Na fase de consulta, a Aneel havia trabalhado com uma carteira estimada em R$ 11,3 bilhões em investimentos no Sistema Interligado Nacional. A retirada da conexão com a Bolívia altera a composição do pacote que será oferecido ao mercado, embora a agência ainda deva consolidar no edital final os lotes, os prazos e os valores de referência da disputa.
Leilão fica menor e perde componente internacional
Leilões de transmissão contratam linhas, subestações e reforços que permitem transportar energia entre regiões, aliviar gargalos e ampliar a segurança do sistema elétrico. As empresas vencedoras assumem a obrigação de construir, operar e manter os ativos, em troca de uma receita anual definida no processo competitivo.
Por isso, a exclusão do projeto com a Bolívia não é apenas um ajuste formal. A interligação envolveria uma conexão entre países, com exigências técnicas, regulatórias e institucionais mais complexas do que as obras restritas ao território brasileiro. Fora da minuta aprovada, esse empreendimento deixa de disputar espaço no pacote de julho e depende de novo encaminhamento para voltar à pauta regulatória.
A decisão também muda a leitura do mercado sobre o leilão. Sem o projeto internacional, a disputa tende a girar em torno dos reforços internos que permanecerem no edital, área acompanhada por grandes empresas de infraestrutura elétrica por oferecer contratos longos e previsibilidade de receita.
Investimento em transmissão pesa no planejamento do setor
A transmissão é uma das engrenagens centrais do setor elétrico. Uma usina pode gerar energia, mas ela só chega aos centros de consumo se houver rede suficiente para escoar a produção. Gargalos nessa etapa elevam o risco de restrições operacionais, atrasam a integração de novos projetos e podem encarecer a operação do sistema.
O impacto econômico aparece em duas pontas. Para as companhias, o leilão abre uma vitrine de investimentos bilionários em infraestrutura. Para os consumidores, os ativos contratados entram na base de custos remunerada do setor elétrico e podem influenciar encargos futuros na conta de luz.
A retirada da interligação com a Bolívia, portanto, reduz o alcance do leilão, mas não elimina sua relevância. O certame continua ligado à expansão da rede nacional e à capacidade do país de acomodar novos fluxos de energia, especialmente em um sistema cada vez mais dependente de obras de transmissão para conectar geração e consumo.
Edital final define lotes, prazos e receitas
O próximo marco é a sessão pública de 3 de julho. Até lá, o ponto decisivo será a versão final do edital, que deve fixar quais empreendimentos entram na disputa, os investimentos estimados, os prazos de implantação, as receitas máximas permitidas e as condições de participação das empresas.
Com a minuta aprovada, o leilão de transmissão de 2026 avança em formato mais enxuto. A consequência prática é que o mercado terá uma carteira menor para disputar em julho, enquanto a eventual conexão elétrica com a Bolívia fica fora do certame e só poderá retornar por nova decisão regulatória.











