A Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal, nesta terça-feira (16), um relatório que registra nove ligações entre Henrique Vorcaro, pai do ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro, e Manoel Mendes Rodrigues, apontado pela investigação como bicheiro, na véspera da fase da Operação Compliance Zero que levou Henrique à prisão.
O documento chegou ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso, no mesmo dia em que a Segunda Turma do STF analisa a manutenção das prisões preventivas de Henrique Vorcaro e de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel. Para a PF, os contatos reforçam a suspeita de articulação externa para proteger o grupo investigado às vésperas da ação policial.
O relatório não informa o conteúdo das conversas nem esclarece se os investigadores tiveram acesso a gravações ou apenas aos registros telefônicos. Ainda assim, a sequência de chamadas entrou no centro da discussão sobre a necessidade de manter as custódias, porque a PF sustenta que havia risco de interferência na investigação.
Operação mira núcleo ligado ao Banco Master
A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema financeiro ligado ao Banco Master e a Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição. A sexta fase da operação, deflagrada em maio, resultou nas prisões de Henrique Vorcaro e Felipe Cançado Vorcaro.
A PF atribui a Manoel Mendes Rodrigues uma atuação em rede de proteção e ocultação vinculada ao grupo investigado. Em outra frente, investigadores apontaram ter encontrado na casa de Henrique Vorcaro indício de acesso ilegal ao Sinapse, sistema usado pela Polícia Federal.
A hipótese investigada é que esse acesso poderia servir para monitorar ou antecipar movimentos da própria investigação. Esse ponto também foi levado ao Supremo como argumento para sustentar a permanência das prisões preventivas.
STF decide se mantém as prisões
Na Segunda Turma, o caso voltou à pauta depois da devolução do processo por Gilmar Mendes. O voto de André Mendonça já pesa pela manutenção das custódias, e o desfecho passa pela formação de maioria no colegiado.
A decisão é relevante porque define se Henrique e Felipe permanecem presos enquanto a PF avança sobre as frentes de obstrução, ocultação de patrimônio e possível vazamento de informações sensíveis. Se a Turma mantiver as preventivas, as defesas ainda poderão apresentar recursos; se revogar as prisões, o Supremo poderá impor medidas cautelares alternativas.
Henrique Vorcaro e Felipe Cançado Vorcaro são investigados no âmbito da Compliance Zero, mas não há condenação contra eles nesse caso. A palavra final sobre a continuidade das prisões cabe à Segunda Turma do Supremo.










