Raúl Jiménez voltou a ser personagem de Copa do Mundo pelo caminho mais simbólico possível. Nesta quinta-feira (11), o atacante marcou de cabeça o segundo gol do México na vitória por 2 a 0 sobre a África do Sul, na abertura do Mundial de 2026, e trouxe de volta uma das imagens mais duras de sua carreira.
O gol saiu pelo alto, justamente a zona do campo que mudou a trajetória do mexicano em 29 de novembro de 2020. Naquele dia, em uma partida entre Wolverhampton e Arsenal pelo Campeonato Inglês, Jiménez se chocou no ar com David Luiz em uma disputa de bola. O impacto provocou uma fratura no crânio do atacante, exigiu cirurgia de emergência e colocou sua carreira — e sua vida — em risco.
A ligação com o futebol brasileiro vem do nome envolvido no lance, mas o episódio não carrega a marca de uma agressão deliberada. Foi uma colisão em disputa aérea, daquelas que o jogo produz em frações de segundo e que, naquele caso, deixou consequências muito além do placar.
O acidente que deixou uma marca visível
Jiménez defendia o Wolverhampton quando sofreu a lesão. A gravidade do choque interrompeu sua temporada e abriu um período de recuperação cercado de cautela. O atacante só voltou aos gramados em 1º de agosto de 2021, já usando uma proteção na cabeça que passou a acompanhá-lo nos jogos.
Desde então, o equipamento virou parte da imagem pública do jogador. Não é adereço nem superstição: é a lembrança física de uma fratura craniana que poderia ter encerrado uma carreira consolidada no futebol europeu e na seleção mexicana.
A volta ao alto rendimento não foi apenas médica. Jiménez precisou reconstruir confiança em um fundamento que, para centroavantes, é rotina: atacar a bola pelo alto, disputar espaço com zagueiros e transformar cruzamentos em gol. Na estreia mexicana na Copa, foi exatamente esse gesto que fechou o placar.
Gol dá peso emocional à estreia do México
Para o México, o gol valeu três pontos, saldo positivo e uma largada sem sustos diante da África do Sul. Para Jiménez, teve peso maior: recolocou no centro do Mundial um jogador que atravessou cirurgia, meses fora dos gramados e uma mudança permanente na forma como é reconhecido em campo.
A seleção mexicana sai da abertura da Copa com vitória e com seu camisa de ataque como símbolo da noite. Cinco anos e meio depois do choque com David Luiz, Jiménez decidiu pelo alto em um palco de Mundial.











