Manuel Adorni, chefe de gabinete do presidente argentino Javier Milei, admitiu manter US$ 500 mil não declarados ao fisco e atribuiu a origem do dinheiro a uma operação antiga com bitcoin.
A explicação foi dada nesta quinta-feira (11), em entrevista ao canal argentino TN. Adorni afirmou que começou a investir na criptomoeda em 2014, quando teria feito um aporte inicial de US$ 200 mil. Segundo ele, a valorização posterior gerou outros US$ 300 mil, totalizando os US$ 500 mil agora associados à controvérsia patrimonial.
O episódio coloca sob pressão um dos nomes mais visíveis do governo Milei. Antes de assumir a chefia de gabinete, Adorni ganhou projeção como porta-voz da Casa Rosada e se tornou uma das faces públicas do discurso oficial de austeridade, controle de gastos e combate a privilégios do Estado.
Questionado sobre a possibilidade de deixar o cargo, Adorni negou que o caso justificasse uma renúncia. Disse que, se saísse, “iriam vir por outros”, em referência à pressão política sobre integrantes do governo.
Bitcoin vira peça central da defesa de Adorni
A linha de defesa apresentada por Adorni combina três elementos sensíveis: dinheiro em moeda estrangeira, criptoativos e obrigação de declaração fiscal. Ao vincular os US$ 500 mil ao bitcoin, o chefe de gabinete desloca a discussão para a origem dos recursos, a rastreabilidade das operações e a forma como esse patrimônio deve aparecer em declarações oficiais.
Adorni sustentou que o investimento começou antes de sua entrada no governo. Ele também afirmou que não ocupava cargo público antes de 2023, argumento usado para separar a formação do patrimônio de sua atuação atual na administração Milei.
A explicação, porém, não encerra a cobrança política. A chefia de gabinete é uma posição central no sistema argentino: coordena áreas do Executivo, dialoga com o Congresso e ocupa lugar de alta exposição pública. Por isso, a controvérsia não envolve apenas a vida patrimonial de Adorni, mas a exigência de transparência sobre auxiliares diretos do presidente.
Declaração patrimonial tem prazo em julho
O próximo marco do caso é o prazo da declaração juramentada de 2025, previsto para 31 de julho. Na Argentina, esse tipo de declaração é usado para registrar a situação patrimonial de agentes públicos e fica associado ao controle exercido pela Oficina Anticorrupción.
Até agora, não há decisão pública da Oficina Anticorrupción contra Adorni nem condenação que comprove crime de enriquecimento ilícito. A controvérsia, neste momento, gira em torno da admissão dos recursos não declarados e da justificativa apresentada para explicar sua origem.
Com o calendário da declaração aberto até o fim de julho, Adorni terá de compatibilizar a versão pública sobre o ganho com bitcoin com os registros patrimoniais exigidos para sua função no governo. É esse documento que deve transformar a explicação política em informação formal perante as autoridades argentinas.











