quinta-feira, junho 4
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Mundo

Ministro israelense provoca ativistas detidos e é criticado por Netanyahu e aliados

Itamar Ben-Gvir divulgou vídeos de militantes pró-palestinos algemados e ajoelhados; EUA, Reino Unido, França e Canadá condenaram as imagens

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT e Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • O vídeo exibe ativistas com rostos colados ao chão e uma mulher gritando “Free Palestine” antes de ser imobilizada.
  • Itamar Ben-Gvir classificou os detidos como “apoiadores de terror” e declarou “nós somos os donos da casa”.
  • A interceptação da flotilha humanitária reavivou a memória do ataque ao navio Mavi Marmara, que matou dez ativistas em 2010.
  • A divulgação expôs fissuras na coalizão de governo entre Netanyahu e a ala de extrema-direita.

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, publicou nesta quarta-feira (20) vídeos em que provoca ativistas de uma flotilha humanitária interceptada a caminho de Gaza, detidos algemados e forçados a se ajoelhar no porto de Ashdod. As imagens geraram condenação internacional coordenada e uma reprimenda pública do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

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Nas gravações divulgadas pelo gabinete de Ben-Gvir, os militantes aparecem com as mãos amarradas e os rostos colados ao chão de uma embarcação. Em determinado momento, uma mulher grita “Free Palestine” antes de ser imobilizada por agentes. “Bom trabalho”, diz o ministro, segundo a Associated Press. “Bem-vindos a Israel. Nós somos os donos da casa.”

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Netanyahu afirmou que a conduta de Ben-Gvir foi “inconsistente com os valores e as normas de Israel”, informou o jornal The National. A crítica expôs fissuras na coalizão de governo entre o premier e a ala de extrema-direita. Os governos de Estados Unidos, Reino Unido, França e Canadá também condenaram as imagens. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, classificou o tratamento dispensado aos ativistas como “abominável”, de acordo com a CBC News.

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Bloqueio naval e a sombra do Mavi Marmara

A flotilha foi interceptada pela Marinha israelense quando tentava furar o bloqueio imposto a Gaza desde 2007, ano em que o Hamas assumiu o controle do território. O episódio reavivou a memória do ataque à embarcação turca Mavi Marmara, em 2010, que resultou na morte de dez ativistas e abriu uma crise diplomática entre Israel e a Turquia.

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Diferentemente de 2010, quando o confronto ocorreu em águas internacionais e deixou vítimas fatais, a ação desta quarta-feira foi conduzida dentro do porto israelense. Ainda assim, a exibição de prisioneiros humilhados por um membro do alto escalão do governo gerou reação imediata de aliados ocidentais, que já pressionam Israel pelas operações militares em Gaza iniciadas em outubro de 2023.

Perguntas em aberto e reação internacional

Até a noite desta quarta-feira, não havia informações confirmadas sobre o número total de ativistas detidos, suas nacionalidades ou se seriam deportados. O governo israelense não divulgou detalhes sobre o status jurídico dos militantes. Organizações de direitos humanos não se manifestaram formalmente sobre a legalidade das imagens.

Ben-Gvir não respondeu publicamente à crítica de Netanyahu. A crise coincide com a posição brasileira de reconhecimento do Estado palestino, formalizada em 2024, e com o histórico de condenações do governo Lula às operações militares em Gaza. O Itamaraty não havia se pronunciado sobre o episódio até o fechamento desta edição.