A greve estudantil nas universidades estaduais paulistas atingiu 32% das carreiras da Unicamp e 30% da Unesp, com 21 dos 65 cursos paralisados em Campinas e 42 dos 136 cursos em seis campi da Unesp, segundo balanços das reitorias. O movimento começou na USP em 14 de abril, impulsionado pelo apoio à paralisação de servidores contra uma gratificação de R$ 4.500 concedida a docentes. Embora os servidores tenham encerrado a greve após acordo, os estudantes mantiveram a mobilização e ampliaram as reivindicações para incluir mais orçamento para educação, contratação de pessoal e aumento dos auxílios de permanência.
Na Unesp, o Instituto de Artes, na capital, está ocupado. Em Araraquara, uma assembleia com mais de 1.000 presentes aprovou a greve por 833 votos. A reitoria da Unesp informou que 7.746 estudantes de graduação foram atendidos pela Coordenadoria de Permanência Estudantil em 2025, recorde que representa mais de 20% dos matriculados.
Unesp destina R$ 110,7 milhões para permanência em 2026
A dotação orçamentária para permanência estudantil na Unesp em 2026 é de R$ 110,7 milhões, o maior valor da história da instituição. A universidade mantém 17 unidades com restaurante universitário e planeja inaugurar mais um.
Apesar dos recordes, o orçamento total da Unesp para 2026 prevê um déficit de R$ 189 milhões, com despesas de R$ 4,98 bilhões e receitas de R$ 4,79 bilhões. O Fórum das Seis, que reúne as universidades estaduais paulistas, propõe que os orçamentos sejam fixados em no mínimo 10,5% da arrecadação do ICMS. A previsão de arrecadação do estado para 2026 é de R$ 251,4 bilhões.
Unicamp tem unidade de Limeira totalmente paralisada
Na Unicamp, a unidade de Limeira está completamente paralisada, com duas faculdades e 12 cursos. Em Campinas, aderiram à greve os institutos de Economia, Artes, Fonoaudiologia, Arquitetura e Urbanismo, e Engenharia Mecânica. A reitoria afirma que “as atividades essenciais da universidade transcorrem normalmente”, mas 32% das carreiras estão paradas.
Os estudantes da USP cobram aumento das bolsas integrais do Papfe de R$ 885 para R$ 1.804, valor equivalente ao salário mínimo paulista. A greve na USP ganhou força após uma ação policial em 11 de maio, quando 50 agentes da PM retiraram 150 alunos do prédio administrativo, resultando em cinco estudantes hospitalizados e quatro detidos.
Recordes de investimento e demandas estudantis
As reitorias destacam recordes em investimentos em permanência, mas a análise dos números sugere que os valores podem não acompanhar a inflação e o aumento da demanda. O déficit orçamentário da Unesp e a rigidez das rubricas indicam que as reivindicações por mais contratações e aumento de bolsas podem enfrentar resistência fiscal. O movimento estudantil promete manter as paralisações até que haja negociação concreta com o governo estadual.
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