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Decisão sem condições elimina principal entrave para joint venture global de tissue, mas endividamento da Suzano preocupa

União Europeia aprova sem restrições aquisição da Suzano na Kimberly-Clark

Decisão sem condições elimina principal entrave para joint venture global de tissue, mas endividamento da Suzano preocupa

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • UE aprovou aquisição de 51% da Kimberly-Clark International Family Care & Professional pela Suzano, sem condições
  • Negócio avaliado em US$ 3,4 bilhões, com US$ 2,8 bilhões em dinheiro e o restante em ações
  • Joint venture controlará marcas como Scott e Kleenex fora dos EUA e Canadá, com receita anual de US$ 5 bilhões
  • Suzano encerrou 1T26 com dívida líquida de US$ 13 bilhões; meta é reduzir para US$ 11 bilhões até 2028
  • Fitch manteve rating BB+ com perspectiva positiva; Moody's Local afirmou rating AAA.br

A União Europeia aprovou, sem impor condições, a aquisição pela Suzano de uma participação majoritária de 51% na Kimberly-Clark International Family Care & Professional, negócio avaliado em US$ 3,4 bilhões. A decisão, anunciada em 11 de maio de 2026, elimina o principal obstáculo regulatório para a criação de uma joint venture que controlará as operações internacionais de papel tissue da Kimberly-Clark, incluindo marcas como Scott e Kleenex.

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O acordo, revelado em maio de 2025, representa a maior aposta da Suzano na internacionalização do segmento de tissue. A companhia brasileira, maior produtora global de celulose de eucalipto, busca diversificar suas receitas e reduzir a dependência da commodity. A Kimberly-Clark, por sua vez, concentrará seus esforços no mercado norte-americano de cuidados pessoais, após a aquisição da Kenvue, concluída em janeiro de 2026, que a transformou em uma gigante global de saúde e higiene.

A estrutura da transação prevê que a Suzano pagará US$ 3,4 bilhões por 51% da nova empresa, que reunirá as operações de tissue da Kimberly-Clark fora dos Estados Unidos e Canadá. O valor inclui US$ 2,8 bilhões em dinheiro e o restante em ações da Suzano. A joint venture terá receita anual estimada em US$ 5 bilhões e presença em mais de 170 países.

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Aprovação do órgão antitruste europeu

A Comissão Europeia concluiu que a operação não levanta preocupações concorrenciais significativas no Espaço Econômico Europeu. Em comunicado oficial, o órgão antitruste da UE afirmou que “a transação não resultaria em obstáculos significativos à concorrência efetiva, dada a presença limitada da Suzano no mercado europeu de tissue e a existência de concorrentes fortes na região”.

A decisão segue o parecer favorável do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que aprovou o negócio sem restrições em setembro de 2025. À época, o Cade destacou que a operação “não gera sobreposição horizontal relevante no Brasil, pois a Suzano atua principalmente na produção de celulose e papel para embalagens, enquanto a Kimberly-Clark concentra-se em bens de consumo”.

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Impactos e desafios da joint venture

A joint venture posiciona a Suzano como líder global em tissue, segmento que cresce a taxas anuais de 3% a 4%, impulsionado pelo aumento da renda em mercados emergentes. A Kimberly-Clark registrou crescimento orgânico de 3,9% nas vendas de tissue em 2025, segundo relatório anual da companhia. A Suzano espera capturar sinergias de US$ 200 milhões a US$ 300 milhões por ano, principalmente na integração da cadeia de celulose.

No entanto, o endividamento da Suzano acende alertas. A companhia encerrou o primeiro trimestre de 2026 com dívida líquida de US$ 13 bilhões, conforme dados da própria empresa. A agência Fitch revisou a perspectiva do rating para positiva em março, mas manteve a nota em ‘BB+’, citando “expectativa de desalavancagem gradual, embora os riscos de execução permaneçam elevados”. A Moody’s Local, por sua vez, afirmou o rating AAA.br da Suzano, destacando a “forte geração de caixa e a posição de liderança no mercado de celulose”.

A transação ainda precisa ser aprovada por autoridades regulatórias dos Estados Unidos e de outras jurisdições. A Suzano espera concluir o negócio até o final de 2026. Enquanto isso, a companhia trabalha para reduzir sua dívida líquida para US$ 11 bilhões até 2028, meta considerada ambiciosa por analistas da Genial Investimentos, que em relatório de prévia do primeiro trimestre de 2026 afirmaram que “o pior já está precificado, mas a alavancagem segue como ponto de atenção”.

A aprovação europeia consolida a estratégia da Suzano de se tornar uma empresa de bens de consumo global, mas o sucesso da empreitada dependerá da capacidade de integrar ativos dispersos e gerar caixa em um cenário de juros elevados e custos de celulose pressionados. A companhia já sinalizou que o custo caixa da celulose deve aumentar no segundo trimestre, refletindo maiores gastos com insumos e frete.


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