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Queda nas vendas para a Argentina, principal parceiro, reduz market share brasileiro e acende alerta em polos industriais como Piracicaba.

Exportações de veículos despencam 16,9% no quadrimestre com crise argentina

Queda nas vendas para a Argentina, principal parceiro, reduz market share brasileiro e acende alerta em polos industriais como Piracicaba.

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Exportações de veículos caíram 16,9% no primeiro quadrimestre, para 142,4 mil unidades.
  • Participação brasileira no mercado argentino recuou de 45% para 43% em um ano.
  • Produção nacional acumula alta de 4,9%, mas ritmo é insuficiente para a meta anual.
  • Exportações para o México cresceram 32%, mas não compensam perda argentina.
  • Sindicato de Piracicaba monitora risco de demissões na cadeia de autopeças.

As exportações brasileiras de veículos desabaram 16,9% no primeiro quadrimestre de 2026, totalizando 142,4 mil unidades embarcadas. O tombo, puxado pela crise na Argentina, reduziu a participação do Brasil no mercado vizinho de 45% para 43% em apenas um ano, conforme a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O cenário acendeu alerta sobre a competitividade da indústria nacional e seus reflexos no emprego.

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A Argentina é o principal destino dos veículos produzidos no Brasil, mas enfrenta uma retração econômica que já havia derrubado sua própria produção e exportação em 2025, segundo dados oficiais. A menor demanda do país vizinho reduziu a previsibilidade da cadeia produtiva brasileira, afetando desde montadoras até fornecedores de autopeças.

‘A crise na Argentina preocupa porque é nosso maior parceiro comercial e a perda de market share mostra que estamos perdendo competitividade’, afirmou Igor Calvet, presidente da Anfavea, em entrevista. A entidade projeta crescimento de 3,7% na produção em 2026, mas o executivo ponderou que o resultado do acumulado, de 4,9% até abril, ‘poderia ter sido maior’.

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Crise argentina reduz market share e ameaça empregos

O recuo de 16,9% nas exportações no primeiro quadrimestre reflete a fragilidade do mercado argentino, que responde pela maior fatia das vendas externas do setor. A perda de dois pontos percentuais de market share em um ano sinaliza que concorrentes internacionais estão ganhando espaço no parceiro comercial, segundo dados compilados pela Automotive Business.

Para compensar as perdas, o Brasil tenta ampliar embarques para outros destinos. As exportações para o México cresceram 32% no período, mas ainda são insuficientes para reverter o déficit. ‘A queda nas exportações para a Argentina reduz a previsibilidade da produção e pressiona as margens de fornecedores locais’, disse Calvet, em apresentação dos resultados de abril.

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A indústria de autopeças, que emprega milhares de trabalhadores em polos como Piracicaba, sente diretamente o impacto na carteira de pedidos. Sem uma recuperação consistente da demanda argentina, a tendência é de readequação de linhas de produção, com riscos para o nível de emprego regional.

Produção nacional cresce, mas ritmo é insuficiente para meta de 2026

A produção de veículos no Brasil acumulou alta de 4,9% no primeiro quadrimestre, com 872,6 mil unidades fabricadas, segundo a Anfavea. O resultado, porém, fica abaixo do necessário para atingir a projeção de crescimento de 3,7% para o ano fechado. Em abril, a produção somou 225,8 mil unidades, queda de 9,5% ante março, embora represente avanço de 2,4% na comparação com abril de 2025.

Calvet classificou 2026 como ‘ano de dificuldades, de crescimento menor’, conforme divulgado pela Anfavea. A crise de semicondutores e os juros elevados permanecem como entraves, pressionando custos e limitando a capacidade de recuperação mais robusta da indústria.

Apesar do mercado interno ainda aquecido em alguns segmentos, a combinação de gargalos estruturais e a dependência do mercado argentino mantém o setor em alerta. A perda de competitividade externa pode comprometer os ganhos acumulados no ano, caso a demanda do parceiro comercial não se recupere.

Piracicaba monitora risco de demissões com perda de competitividade

A perda de participação no mercado argentino acendeu alerta em Piracicaba, tradicional polo de autopeças e sistemas automotivos. A fatia brasileira nas importações argentinas de veículos recuou de 45% para 43% entre 2025 e 2026, segundo a Automotive Business, o que reduz a previsibilidade de encomendas para fornecedores locais.

O Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba informou que monitora a situação, mas ainda não há dados oficiais de demissões. A entidade teme que a perda de competitividade leve a readequações de linhas de produção, com impacto direto no emprego local. ‘A queda nas exportações para a Argentina reduz a previsibilidade da produção e pressiona as margens de fornecedores locais’, reforçou Calvet.

A indústria automotiva regional, que abastece montadoras com componentes e sistemas, sente o impacto na carteira de pedidos. Sem uma recuperação da demanda argentina, a tendência é de ajustes que podem afetar milhares de trabalhadores diretos e indiretos na região.


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