A juíza Mariana Francisco Ferreira, de 34 anos, morreu na quarta-feira (6) após sofrer hemorragia vaginal e duas paradas cardiorrespiratórias decorrentes de um procedimento de coleta de óvulos para fertilização in vitro. O caso ocorreu em uma clínica de reprodução assistida em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, e é investigado pela Polícia Civil como morte suspeita e acidental, com apuração de possível erro médico.
Mariana ingressou na magistratura do Rio Grande do Sul em dezembro de 2023 e, em fevereiro de 2026, passou a integrar o Juizado da Vara Criminal de Sapiranga, conforme informações do Tribunal de Justiça do Estado (TJRS). Ela estava em São Paulo especificamente para realizar o tratamento de fertilização, segundo apuração da GaúchaZH.
O procedimento de coleta de óvulos é uma etapa comum nos ciclos de reprodução assistida, no qual os folículos ovarianos são aspirados por via transvaginal sob sedação. Embora considerado minimamente invasivo, envolve riscos como hemorragia, infecção e reações à anestesia. A Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) ressalta que complicações graves são raras, mas podem ocorrer.
A Polícia Civil de São Paulo confirmou que a magistrada realizou o procedimento na segunda-feira (4) e, dois dias depois, apresentou sangramento intenso e paradas cardíacas. “A vítima sofreu uma hemorragia após passar por um procedimento de coleta de óvulos”, detalhou o registro policial. O caso foi registrado como morte suspeita e acidental, e o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal para necropsia.
Investigação e Repercussão
A clínica onde o procedimento foi feito não teve o nome divulgado pelas autoridades. A investigação busca esclarecer se houve falha técnica, negligência ou reação adversa imprevisível. “A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte. Foram solicitados exames periciais ao Instituto Médico Legal e ao Instituto de Criminalística”, informou a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, em nota.
O TJRS emitiu nota de pesar, confirmando que Mariana foi “vítima de complicações decorrentes de um procedimento cirúrgico”. A Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (AJURIS) também lamentou a morte e cobrou rigor na apuração. Especialistas destacaram que eventos hemorrágicos após punção folicular podem estar associados a lesões vasculares ou distúrbios de coagulação não diagnosticados.
Impacto e Segurança
O caso reacende o debate sobre a segurança dos procedimentos de reprodução assistida no Brasil. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) indicam que, em 2025, foram notificados 47 eventos adversos graves em clínicas de fertilização, a maioria relacionada a infecções e hemorragias. A fiscalização desses estabelecimentos é compartilhada entre vigilâncias sanitárias municipais e estaduais, mas não há um protocolo nacional unificado de notificação compulsória de óbitos.
A morte de uma profissional jovem e saudável durante um procedimento eletivo levanta questionamentos sobre a necessidade de maior transparência e padronização no setor. “É fundamental que as pacientes sejam informadas de todos os riscos, mesmo os raros, e que as clínicas mantenham estrutura para emergências”, afirmou a SBRA em comunicado.
Mariana Francisco Ferreira deixa familiares e colegas consternados. Sua trajetória na magistratura foi marcada por dedicação à área criminal. O sepultamento ocorreu em São Paulo, em cerimônia restrita. A investigação policial segue sem prazo para conclusão.











