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Departamento de Justiça americano mira JBS, Marfrig, Cargill e Tyson Foods por suposto conluio para elevar preços da carne bovina.

Cartel da carne: EUA pagam até US$ 1 milhão por delação contra JBS e Marfrig

Departamento de Justiça americano mira JBS, Marfrig, Cargill e Tyson Foods por suposto conluio para elevar preços da carne bovina.

· 3 min de leitura · Atualizado em 08.05.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT - Editoria de Loterias

Pontos-chave

  • Recompensa pode chegar a 30% de multas que devem ultrapassar US$ 1 milhão.
  • Quatro frigoríficos controlam mais de 80% das compras de gado nos EUA.
  • JBS detém cerca de um quarto do mercado americano de carne bovina.
  • Tarifa de 50% sobre gado brasileiro foi imposta para proteger pecuaristas locais.
  • Exportações de carne do Brasil podem cair 10% em 2026, segundo Abiec.

O governo dos Estados Unidos anunciou uma recompensa que pode chegar a 30% das multas aplicadas a frigoríficos investigados por formação de cartel. O valor deve ultrapassar US$ 1 milhão. O alvo principal são quatro gigantes do setor, incluindo as brasileiras JBS e Marfrig, acusadas de elevar artificialmente os preços da carne bovina no mercado americano.

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A investigação, conduzida pelo Departamento de Justiça desde novembro do ano passado, já revisou mais de 3 milhões de documentos e ouviu centenas de pessoas ligadas à pecuária, de produtores a executivos. Dados oficiais indicam que a fatia de gado comprada por JBS, National Beef (controlada pela Marfrig), Cargill e Tyson Foods saltou de um terço para mais de 80% do total nacional entre 1980 e 1990.

A concentração acelerada sustenta a acusação central do governo Trump: as empresas teriam atuado “por meio de conluio ilícito”, conforme divulgado pela Casa Branca. A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, mirou diretamente a JBS ao afirmar que “uma empresa de propriedade brasileira detém cerca de um quarto do mercado e possui um histórico documentado de corrupção internacional e atividade ilícita”.

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Presença brasileira no mercado americano e retórica protecionista

A JBS é a maior processadora de carne bovina nos Estados Unidos, enquanto a National Beef, controlada pela Marfrig, ocupa a quarta posição e é considerada a mais lucrativa do setor no país. Para Rollins, a propriedade estrangeira desses frigoríficos representa uma “ameaça” aos pecuaristas americanos e teria até “ameaçado silenciosamente a Casa Branca”.

A retórica protecionista ganhou força com a imposição de uma tarifa de 50% sobre a importação de gado brasileiro. Em discurso recente, o presidente Donald Trump justificou a medida: “Os pecuaristas, que eu amo, não entendem que a única razão pela qual estão indo bem, pela primeira vez em décadas, é porque eu impus tarifas sobre o gado que entra nos EUA, incluindo uma tarifa de 50% sobre o Brasil”.

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Reação das empresas e impasse diplomático

A Marfrig declarou, em nota, que respeita as leis de defesa da concorrência e que “não foi notificada sobre as ações mencionadas” pelo Departamento de Justiça. A empresa destacou ainda que a National Beef atua em sociedade com 700 produtores locais, que detêm cerca de 18% do capital da companhia. Já a JBS não respondeu aos questionamentos da imprensa até o fechamento desta reportagem.

O silêncio da JBS contrasta com a escalada de tensões comerciais entre os dois países. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) projeta uma queda de 10% nas exportações de carne bovina do Brasil em 2026, pressionada pelas restrições da China e pelas barreiras erguidas pelos EUA.

Impacto no mercado global e no Brasil

A ofensiva americana ocorre em um momento delicado para as operações internacionais das empresas brasileiras. A JBS, maior produtora de carne nos EUA, e a Marfrig, controladora da National Beef, enfrentam acusações de “conluio ilícito” e um histórico de corrupção mencionado abertamente por autoridades americanas.

A recompensa oferecida pelo Departamento de Justiça, que pode chegar a 30% das multas, deve ultrapassar US$ 1 milhão e é válida para quem fornecer informações sobre crimes concorrenciais ou fraudes. A medida amplia a pressão sobre as companhias, que já lidam com a combinação de barreiras nos EUA e na China, principais destinos da proteína brasileira.


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