A Prefeitura de Piracicaba deve iniciar em breve o manejo populacional das capivaras que vivem no Parque da Rua do Porto, um dos principais pontos turísticos da cidade. A medida busca reduzir o grupo, hoje estimado em cerca de 50 animais, e prevenir casos de febre maculosa, doença transmitida pelo carrapato-estrela que tem a capivara entre seus principais hospedeiros.
O trabalho será executado pela Zoovet Clínica e Consultoria, de Belo Horizonte (MG), empresa especializada em manejo de fauna silvestre e autorizada pelo Departamento de Fauna do Estado de São Paulo (DeFau) e pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), conforme determina a legislação ambiental. A assinatura da ordem de serviço está prevista para agosto, e o contrato tem vigência de 12 meses, com acompanhamento contínuo dos animais.
Em resumo:
- A Zoovet, de Minas Gerais, foi contratada após conclusão da licitação; ordem de serviço em agosto e contrato de 12 meses.
- Cerca de 50 capivaras serão capturadas, esterilizadas, identificadas por marcação e devolvidas ao parque.
- Piracicaba teve três mortes por febre maculosa em 2025 e nenhum caso em 2026, segundo o Sinan.
Captura, esterilização e devolução ao parque
Segundo a Prefeitura, o manejo será realizado em etapas, conforme a captura dos animais, que ocorrerá no próprio Parque da Rua do Porto. Após passarem pelo procedimento de esterilização, as capivaras serão identificadas por meio de marcação e devolvidas ao local de origem.
O controle populacional tem quatro objetivos declarados pelo município: conter o crescimento da espécie, evitar recolonizações, reduzir disputas territoriais entre os animais e diminuir o risco de transmissão da febre maculosa. A capivara é um dos principais hospedeiros do carrapato-estrela, vetor da doença.
Três mortes em 2025 sustentam o alerta
De acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), Piracicaba registrou em 2025 três casos confirmados de febre maculosa, todos com evolução para óbito. Em 2026, até o momento, nenhum caso foi registrado em residentes no município. O cenário mantém o alerta ativo na cidade, como o PIRANOT informou em cobertura de julho sobre a vigilância contra a doença.
A gerente de Vigilância em Saúde, Carina Baron, explica que as capivaras atuam como hospedeiras amplificadoras da bactéria Rickettsia rickettsii. Após a infecção, por um período limitado, os animais mantêm a bactéria na corrente sanguínea em quantidade suficiente para infectar carrapatos durante a alimentação; em seguida, desenvolvem resposta imunológica e deixam de ser fontes eficientes de infecção. Ao evitar o nascimento de novos indivíduos suscetíveis, a esterilização aumenta gradualmente a proporção de animais imunizados no grupo e reduz a circulação da bactéria entre capivaras e carrapatos.
Empresa reduziu plantel de 200 para 40 animais em Minas
A contratação encerra um processo iniciado ainda no primeiro semestre. Em maio, a Prefeitura havia aberto pregão para o controle das capivaras na Rua do Porto, agora concluído com a definição da Zoovet. A empresa acumula experiências em ações semelhantes em Ponte Nova (MG), Rio Acima (MG), Sesc Goiás e no Condomínio Nossa Fazenda, em Esmeraldas (MG).
Neste último, segundo o município, o manejo populacional contribuiu para reduzir o número de capivaras de cerca de 200 para aproximadamente 40 animais ao longo de quatro anos de acompanhamento. “A conclusão da licitação representa um passo importante para que possamos iniciar uma ação planejada com responsabilidade técnica e ambiental”, afirmou o secretário municipal de Saúde, Gustavo Aguiar. Além do manejo, a Prefeitura afirma manter ações permanentes de prevenção, como sinalização das áreas de risco, monitoramento ambiental, educação em saúde e campanhas de orientação à população.
Comunidade PIRANOT
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