O Grupo SRM levantou R$ 600 milhões em uma emissão de debêntures com prazo de quatro anos, em uma operação voltada a ampliar a oferta de crédito para empresas por meio de duplicatas e notas comerciais.
A captação foi estruturada em cotas sênior, mezanino e júnior e atingiu 100% de distribuição. O Patria Investimentos entrou como um dos investidores da operação, que reforça a presença da SRM no mercado de crédito privado em um momento de maior busca por alternativas de financiamento corporativo.
Segundo Eduardo Siqueira, diretor de relações com investidores da SRM, os recursos serão destinados à expansão das operações de crédito do grupo. A nova emissão dobra o valor da primeira captação da companhia nesse formato, realizada em 2023, quando a SRM levantou R$ 300 milhões.
Captação reforça estratégia de crescimento
A SRM atua no financiamento a médias e grandes empresas e informa ter R$ 7 bilhões sob gestão, além de volume anual de crédito de R$ 10 bilhões. Com a nova emissão, o grupo ganha fôlego para ampliar a originação de ativos em segmentos ligados ao capital de giro corporativo.
A operação também ocorre um ano depois da aquisição da Empírica Holding, comprada por até R$ 75 milhões. A Empírica pertencia à Reag Investimentos, alvo da Operação Carbono Oculto. A SRM afirma que a transação foi concluída sem irregularidades e que o grupo não é investigado.
O avanço da SRM se soma a outras captações recentes no mercado brasileiro de debêntures. Em julho, a JBS levantou R$ 400 milhões para projetos de biodiesel e logística. Em junho, a Iochpe-Maxion aprovou uma emissão de R$ 400 milhões para alongar dívida até 2030.
Juro alto sustenta apetite por crédito privado
Com a Selic em 13,75% ao ano, as debêntures seguem no radar de investidores em busca de retorno acima da renda fixa tradicional. Estruturas com diferentes níveis de risco, como as cotas sênior, mezanino e júnior usadas na emissão da SRM, permitem calibrar a exposição conforme o perfil do investidor.
A empresa não divulgou as taxas oferecidas na operação, o que limita a comparação direta com outras emissões do setor. Ainda assim, a distribuição integral dos R$ 600 milhões indica demanda por papéis ligados ao financiamento corporativo.
Com os recursos disponíveis, a SRM passa a aplicar a captação gradualmente nas operações de crédito. O próximo teste será transformar a demanda dos investidores em maior volume de financiamento para empresas que buscam capital de giro.











