Mulheres após a menopausa podem sofrer infarto sem apresentar a clássica dor no peito, elevando o risco de morte por diagnóstico tardio, alerta a Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI).
A queda do estrogênio após a menopausa altera o metabolismo, a pressão arterial e a distribuição de gordura, aumentando a vulnerabilidade cardiovascular, explica a cardiologista intervencionista Denise Pellegrini. Os sintomas atípicos — como cansaço extremo, náusea, dor nas costas ou mandíbula — são frequentemente confundidos com ansiedade ou problemas digestivos, retardando a busca por atendimento.
Dados da SBHCI indicam que a mortalidade por infarto é 30% maior entre mulheres que não recebem tratamento dentro da janela ideal de 90 minutos. Apesar da gravidade, não há levantamento nacional sobre o percentual de pacientes que chegam aos prontos-socorros com diagnóstico incorreto de ansiedade antes da confirmação do infarto.
Histórico de subdiagnóstico e campanhas de conscientização
Historicamente, os sintomas de infarto foram mapeados com base no padrão masculino — dor aguda no peito irradiando para o braço esquerdo —, o que gerou subdiagnóstico crônico no público feminino. Em 14 de maio de 2026, o Dia Nacional de Conscientização das Doenças Cardiovasculares na Mulher reforçou a necessidade de reconhecer os sinais atípicos.
Em um contexto de pressão econômica global, como o fechamento do Estreito de Ormuz que o PIRANOT noticiou em maio, o acesso a serviços de saúde pode ser ainda mais crítico para mulheres que ignoram os sintomas. A SBHCI defende a ampliação de campanhas públicas voltadas à saúde cardiovascular feminina, mas ainda não há calendário oficial de ações do Ministério da Saúde para o segundo semestre.
Próximos passos e lacunas na prevenção
Especialistas cobram a inclusão de perguntas sobre sintomas atípicos nos protocolos de triagem de emergência, além da capacitação de equipes para diferenciar infarto de quadros de ansiedade. Enquanto novas diretrizes não são publicadas, a orientação é que mulheres após os 40 anos relatem qualquer desconforto súbito e persistente, mesmo que não pareça cardíaco.











