terça-feira, 21 de julho de 2026
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Economia

ApexBrasil reserva R$ 130 milhões para diversificar exportações após tarifa dos EUA

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • A sobretaxa de 25% imposta pelos EUA atinge US$ 7,2 bilhões em exportações brasileiras, com base na Seção 301 da lei comercial americana.
  • O plano apoiará 2,4 mil empresas de 57 setores, incluindo frutas, café, carnes, calçados e cosméticos.
  • No primeiro semestre, as vendas para os EUA caíram US$ 2,6 bilhões, enquanto as exportações para China, Índia e Europa cresceram.
  • O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, detalhará a estratégia em agosto, mirando também o acordo Mercosul-União Europeia.

A ApexBrasil reservou R$ 130 milhões para um plano de diversificação de mercados voltado a empresas afetadas pela nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos, anunciada em 15 de julho. O programa será detalhado no início de agosto, informou o presidente da agência, Laudemir Müller, em entrevista coletiva na última sexta-feira (17).

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A iniciativa surge como resposta ao tarifaço americano, que elevou sobretaxas sobre produtos brasileiros com base na Seção 301 da lei comercial dos EUA. A agência pretende apoiar cerca de 2,4 mil empresas exportadoras em parceria com 57 entidades do setor privado, incluindo segmentos como frutas, proteínas, café, mel, móveis, cosméticos, plásticos, calçados, material elétrico e máquinas.

O anúncio ocorre em um momento de reorientação das exportações brasileiras. Dados da balança comercial mostram que, no primeiro semestre de 2026, as vendas para os Estados Unidos recuaram US$ 2,6 bilhões, enquanto as exportações para a China cresceram US$ 10,5 bilhões, para a Índia US$ 2,5 bilhões e para a Europa US$ 3,1 bilhões. A ApexBrasil vê no acordo Mercosul-União Europeia uma oportunidade adicional para os setores beneficiados. O PIRANOT antecipou a reserva de recursos na sexta-feira.

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Pressão tarifária e realocação de mercados

A imposição de tarifas pelos EUA sob a Seção 301 vem tensionando as relações comerciais bilaterais desde 2025. A nova rodada, anunciada em 15 de julho, elevou a alíquota adicional para 25% sobre uma cesta de produtos brasileiros, pressionando setores industriais e do agronegócio. Estados como São Paulo e Santa Catarina, grandes exportadores, estão entre os mais vulneráveis, segundo a agência.

O movimento de diversificação já era visível nos números do comércio exterior. A queda nas exportações para os EUA foi compensada por aumentos expressivos em outros destinos, mas a ApexBrasil avalia que é preciso acelerar a abertura de novos mercados para reduzir a dependência do mercado americano.

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Impacto do plano e limites

Os R$ 130 milhões reservados representam um esforço inicial, mas a própria ApexBrasil reconhece que o valor não cobre integralmente os prejuízos estimados com as tarifas. A agência não divulgou uma projeção de perdas, mas o recuo de US$ 2,6 bilhões nas exportações para os EUA no primeiro semestre dá a dimensão do desafio. O plano focará em ações de promoção comercial, feiras e missões empresariais para abrir novos mercados na Ásia, Europa e outros destinos.

O programa terá atenção especial tanto para os setores atingidos pelas sobretaxas quanto para os beneficiados pelo acordo Mercosul-União Europeia, que ainda está em processo de ratificação. A agência não detalhou, porém, como os recursos serão distribuídos entre os 57 segmentos.

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Próximos passos e regras de acesso

O detalhamento do plano está previsto para os primeiros dias de agosto, quando a ApexBrasil divulgará as regras de acesso aos recursos e o cronograma de execução. Até o momento, não foram informados os critérios de elegibilidade para as empresas nem a divisão dos recursos entre os setores. A agência também não especificou quais das 57 entidades parceiras coordenarão as ações.

A expectativa é que o plano inclua editais, chamadas públicas e parcerias diretas com as entidades setoriais. O governo federal acompanha o processo e deve articular a estratégia com outros instrumentos de política comercial, como o financiamento do BNDES e a atuação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

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